Lyra envia dossiê ao Senado que compromete Renan

A três dias do julgamento em plenário por quebra de decoro parlamentar, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sabe que nem mesmo a absolvição da acusação de uso de dinheiro de um lobista para pagar as despesas da jornalista Mônica Veloso (com quem tem uma filha fora do casamento) é garantia de um final feliz para sua agonia. Repleta de indícios e provas, a representação do DEM e do PSDB que o acusa de ter sido dono oculto de rádios em Alagoas, avaliadas em R$ 2,5 milhões, é o caso mais espinhoso que o senador tem pela frente.Os senadores e técnicos que já manusearam a documentação ficaram impressionados com o número de provas e indícios. Orgulhoso de seu nome e sobrenome, Renan evitou colocá-los nos empreendimentos. Preferiu o amparo de laranjas e prepostos, como atestam os documentos encaminhados pelo usineiro João Lyra, ex-sócio e agora adversário político. O jornal O Estado de S. Paulo teve acesso às 16 provas organizadas pelo usineiro e apresentadas ao Senado. Nelas constam um roteiro de como a transação foi efetuada e também os indícios de que o presidente do Senado se utilizou de terceiros para ser dono oculto de veículo de comunicação.O negócio começou em 1998, quando os empresários alagoanos Nazário Pimentel e Luiz Carlos Barreto procuraram João Lyra e Renan com a proposta de venda de uma rádio e um jornal. Em dezembro daquele ano, Pimentel apresentou proposta ao senador. A compra da Editora O Jornal e da Rádio Manguaba foi feita logo em seguida. Detalhe: os recibos de pagamentos foram efetuados por Tito Uchoa, preposto de Renan, ao empresário Pimentel. Segundo Lyra, ?o assunto era tratado no próprio gabinete do senador Renan Calheiros?. Como prova, ele apresentou uma página timbrada do gabinete do presidente do Senado na qual os valores dos pagamentos são relacionados. O usineiro conta que, no período compreendido entre os anos de 1999 e 2002, o jornal teria sido administrado por assessores dele e de Renan.Depois que Renan e João Lyra desfizeram a sociedade oculta, a rádio Manguaba ficou para Renan e O Jornal, para o usineiro. Ainda assim, depois de formalização na junta comercial, João Lyra diz que Renan se encarregou de renovar a licença da rádio Paraíso, outra emissora adquirida pelo usineiro na mesma época. Na versão de João Lyra, a renovação só se daria mediante pagamento de R$ 500 mil. O dinheiro teria sido entregue a Tito Uchoa, segundo uma das provas obtidas e encaminhada pelo usineiro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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