Lyra é assassino, diz senador

Para Renan, acusações de usineiro são ?maledicentes?

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2016 | 00h00

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltou ontem a acusar o usineiro João Lyra de ser autor de "vários homicídios e crimes de mando", ao se defender das denúncias de ter sido sócio de um jornal diário e de possuir duas emissoras de rádio registradas em nome de laranjas. A sociedade teria sido montada, inicialmente, com o próprio usineiro.Em recente entrevista, Lyra disse que foi parceiro de Renan, um "bom sócio". Afirmou que o presidente do Senado pagou sua parte em dólares e dinheiro vivo, num investimento de R$1,3 milhão. Renan propôs que Lyra abra seu sigilo bancário e fiscal, a exemplo do que fez, ao pedir ao Ministério Público para investigá-lo. O senador chamou novamente as denúncias de Lyra de "acusações maledicentes". "Eu não quero tratar desse rapaz, ele não merece uma palavra minha. Ele tem várias execuções na Receita Federal e é acusado de vários homicídios, inclusive de crimes de mando", acusou Renan, à tarde, no Senado.Renan disse que Alagoas sabe que Lyra é "ressentido" porque perdeu uma eleição no Estado e atribui a derrota a ele. "O que ele disser em relação a mim será sempre suspeito", alegou. E reiterou que não renunciará à presidência do Senado. "A licença fragiliza e prejulga", justificou. "O que estamos tentando é mostrar que temos uma prova para cada maledicência. Se tivesse me licenciado, passaria o entendimento de que estava concordando com o que estavam dizendo de mim."A assessoria de Lyra informou que ele não responderá a Renan. Apenas entregará ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP) cópias de documentos comprovando as transações com Renan que revelou. O encontro, no escritório de Lyra, em Alagoas, está marcado para hoje, às 16 horas.O usineiro avisou que não dará declarações sobre o ex-sócio, mas está disposto a colaborar com a investigação no Senado. Sua conversa com Tuma será acompanhada por escrivães da Polícia Federal, para que assuma caráter de depoimento. CONSELHODe iniciativa do DEM e PSDB, a representação para que Renan venha a ser processado pelo suposto envolvimento com laranjas - o que configuraria quebra de decoro parlamentar - será examinada hoje pela Mesa Diretora do Senado. É certo que na reunião, chefiada pelo segundo-vice presidente, Álvaro Dias (PSDB-PR), será unânime a decisão de encaminhar a denúncia ao Conselho de Ética.

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