Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Luta por maior participação vai da deputada mais velha à mais jovem

As deputadas Luísa Canziani, a mais jovem do Congresso, e Luíza Erundina, a decana, defendem cota para candidaturas femininas

Paulo Beraldo e Vinícius Passarelli, especial para O Estado

29 de julho de 2019 | 10h47

A luta por maior representação feminina na Câmara dos Deputados tem apoio da mais jovem e da mais velha parlamentares da Casa. Ainda que a bancada feminina nesta legislatura seja a maior da história, com 77 deputadas, elas entendem que falta muito para obter o nível de representação ideal: no Brasil, as mulheres são 52% da população. 

A diferença geracional de Luísa Canziani (PTB-PR), de 23 anos, e de Luiza Erundina (PSOL-SP), de 84, não as afasta de um objetivo comum: mais vozes femininas na política. “Somos a maioria da população, do eleitorado, mas ainda representamos 15% do número de eleitas. Foi um aumento significativo, o maior da história, mas ainda é muito pouco, é grave a subrepresentação das mulheres”, disse Luísa, que lidera a Comissão da Defesa dos Direitos da Mulher, uma das quatro chefiadas por mulheres. No total, são 25 comissões. 

A subrepresentação também é realidade nos Parlamentos dos 26 Estados e no Distrito Federal. Reportagem do Estado mostrou que, entre os 1.060 deputados estaduais, apenas 163 são mulheres. Veja aqui

Nas pautas do grupo liderado por Luísa Canziani, as prioridades são promoção da educação, do empreendedorismo e aumento da participação feminina. Um dos projetos previstos pela comissão é aprovar uma cota feminina de 20% das cadeiras. “É uma meta grande, mas precisamos dar esse passo. Como qualquer política afirmativa, precisa ser experimentada para ver seus impasses e efeitos”. 

Luiza Erundina, defensora histórica da causa feminina e ex-prefeita de São Paulo, se diz a favor da ideia. “Acho positivo, seria importante e representaria um avanço”, afirmou a deputada em seu sexto mandato. Ela acredita que assegurar apenas a presença de candidaturas mulheres é pouco. “É preciso que as cotas que já foram conseguidas e são conquistas valiosas, fruto da luta das mulheres, se preservem”, afirma. 

Ela critica a movimentação de líderes na Câmara que propõe reduzir de 30% para 10% o porcentual mínimo obrigatório para candidaturas de mulheres. Outra proposta prevê o fim das punições às siglas que não cumprirem a regra. A justificativa do autor do projeto, o deputado José Nelto (Podemos-GO), é de que a regra atual abre margem para fraudes, como o uso de candidaturas laranjas. A proposta de não punir os partidos que não cumprem a cota mínima é da deputada Renata Abreu (Podemos-SP). Para Erundina, as justificativas são “inaceitáveis”. “Por causa das ilegalidades que alguns partidos cometem, estão ameaçando essa conquista”. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.