Luta pelo comando do Senado contamina eleição da Câmara

Chinaglia já fala em prejuízo para Temer se PMDB insistir em ter 2 cargos

Gustavo Porto e Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

16 de janeiro de 2009 | 00h00

A disputa entre PT e PMDB pela presidência do Senado contaminou a eleição na Câmara. Ontem, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), advertiu sobre o abalo que a insistência do PMDB em disputar a sucessão do Senado contra o petista Tião Viana (AC) pode causar à candidatura do deputado peemedebista Michel Temer (PMDB). "O PMDB sabe que se lançar candidato (à presidência do Senado) e insistir nessa tese, isso repercute negativamente na candidatura do Michel Temer", afirmou Chinaglia. O presidente da Câmara ressaltou que, "possivelmente, Temer terá mais votos no PT do que em qualquer outra bancada".O peemedebista diz estar tranquilo com o apoio fechado de nove partidos e a perspectiva de conquistar o PDT, somando 425 votos. De qualquer forma, a advertência destoa do discurso petista do início da semana, em que só se falava em "honrar o compromisso" com o PMDB da Câmara.A fala de Chinaglia vem na esteira da manifestação do presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), que na véspera divulgou nota oficial em defesa da candidatura de Viana no Senado, cobrando, do PMDB, "contrapartida" do apoio dado na Câmara. No senado, o atual presidente Garibaldi Alves (RN) é o candidato oficial do partido; no bastidor, a cúpula do PMDB tenta emplacar o nome de José Sarney (AP)."Não se trata de precondição, mas de bom senso", escreveu Berzoini, reforçando a decisão do senador petista de fincar pé na disputa, independentemente de eventuais apelos do Planalto em contrário. "Se o presidente Lula pedir, eu não saio", disse Viana a Garibaldi, quando propôs acordo pelo qual o adversário também não abrirá mão da candidatura em favor de Sarney. Foi nesse clima que Sarney decidiu deixar para a semana que vem o encontro com o presidente para tratar de sucessão no Congresso. A despeito da pressa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em obter uma definição de Sarney sobre a candidatura ao Senado, a conversa vem sendo adiada desde segunda-feira. Diante da insistência do Planalto em marcar o encontro, Sarney alegou que está acamado por conta de forte resfriado e avisará quando estiver melhor. Nos contatos com senadores da oposição, em que pede apoio ao PMDB na sucessão, ele tem se queixado muito do PT. Atribui a petistas "a perseguição política sobre a família Sarney", que fez com que seu filho Fernando acabasse acusado, em uma operação da Política Federal, de tráfico de influência em ministérios para favorecer negócios privados. Tucanos e senadores do DEM contatados por Sarney dizem que ele se porta como candidato e não deixa dúvidas de que quer a presidência.

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