Luta do Brasil contra corrupção é exemplo para o mundo, diz professor de Columbia

Em artigo no jornal britânico Financial Times, Marcos Troyjo diz que Lava Jato é 'orgulho' para os brasileiros

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2017 | 17h13

LONDRES - Com o status de "emergente" seriamente questionado, a luta do Brasil contra a corrupção é um exemplo para o mundo, na avaliação de Marcos Troyjo, diretor da BRICLab na Universidade de Columbia, expressa em um artigo publicado no site do jornal britânico Financial Times.

Ele cita a expressão "poder suave", do inglês soft power, para descrever a capacidade de um país influenciar outros sem o uso da força ou coerção, que há muito não era desempenhado pelo País. "No meio do que poderia ser visto como o 'eclipse global do Brasil', o País está realmente lançando seu poder suave como uma consequência não intencional da Operação Lava Jato, que levou à prisão de políticos, empresários e ex-executivos da Petrobras e seus contratados por suborno e lavagem de dinheiro", avaliou.

O intelectual escreveu que os debates realizados em universidades em todo o mundo deixam claro que a maioria dos acadêmicos, líderes de opinião e formuladores de política econômica entende que a investigação da Lava Jato é mais do que meramente uma fonte de orgulho para os brasileiros. "É uma ferramenta importante para o País aproveitar sua capacidade de competir no cenário mundial", argumentou.

Troyjo comentou que programas de cooperação técnica com a América Latina e África permitem que o Brasil exerça influência. "No entanto, é a influência econômica do país, e não o sucesso de suas políticas públicas, que continuam a sustentar o desejo do mundo de fortalecer parcerias com o Brasil", descreveu. Mesmo iniciativas como o Bolsa Família - um programa de transferência de dinheiro da redução da pobreza que já era um modelo considerado digno de exportação para países de baixa renda - viu, segundo ele, sua viabilidade prejudicada por uma economia estagnada.

No artigo, o professor cita vários exemplos de que, em termos macroeconômicos, o País não está mais em declínio: a inflação caiu, as empresas controladas pelo Estado agora são bem administradas e certas reformas estruturais tiveram avanços. Ele também mencionou a retomada da confiança com a administração de Michel Temer.

"Mas este é o mínimo que se poderia esperar. A boa governança e a diplomacia pragmática são precondições, não são características de distinção louváveis daqueles que desejam prosperar. É como se o baixo desempenho econômico, a corrupção sistêmica e o desencanto com a política partidária eliminassem as histórias de sucesso", escreveu.

O movimento para combater a corrupção no Brasil pode ser um modelo de mudança paradigmática em países emergentes e economias maduras. "Claro, a Operação Lava Jato também pode levar a alguns erros, dada a escala da investigação e suas frentes múltiplas. Mas o dano que causa é opaca em comparação com os males que cura."

 

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