Lupi vê 'ranço udenista' em denúncias contra ele

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, atribuiu ontem a um "ranço udenista" as acusações de que sua pasta teria favorecido entidades ligadas a seu partido, o PDT, na realização de convênios para qualificação e treinamento de trabalhadores. "Você sabe que a UDN muda de nome, mas o ranço udenista continua na cabeça de muita gente", declarou Lupi, em entrevista à Rádio Gaúcha, ao responder sobre as denúncias, referindo-se ao partido, de orientação liberal, que foi o principal opositor de Getúlio Vargas. "É a mesma UDN que tentou derrubar Getúlio, que derrubou João Goulart, que tinha ódio de Leonel Brizola", atacou. "Esse grupo tem ódio do trabalhismo, porque nós representamos uma linha de pensamento vinculada diretamente ao direito do trabalhador."Lupi tem sido pressionado pela Comissão de Ética Pública da Presidência por conta de sua dupla militância - ao mesmo tempo em que comanda o Ministério do Trabalho, ele preside o PDT. Foi justamente por ver incompatibilidade nessa situação do ministro que a Comissão de Ética Pública recomendou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 21 de dezembro, que ele fosse demitido. Como o pedido não foi atendido - o conselho não tem poder coercitivo -, o embaixador Marcílio Marques Moreira afastou-se da presidência do colegiado.No entanto, a pressão continua. Na segunda-feira, a comissão decidiu pedir-lhe explicações sobre a destinação de R$ 14,7 milhões às ONGs DataBrasil e Instituto Inesp de Treinamento - parceiras da Força Sindical, presidida pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) - e sobre convênios de cerca de R$ 50 milhões com entidades e pessoas ligadas a políticos do PDT. Ontem o Estado revelou que, após trocar o DEM pelo PDT, a prefeita de São Gonçalo (RJ), Maria Aparecida Panisset, obteve dois convênios com o Ministério do Trabalho, num total de R$ 1,141 milhão.O ministro defendeu o processo de escolha das instituições selecionadas para os convênios, citando que o método exige audiência pública, com edital publicado, por meio do qual é selecionada uma entidade-âncora. Segundo ele, essa entidade precisa fazer licitação pública para escolher as instituições que vão aplicar os cursos de qualificação de mão de obra. Ao abordar a recomendação da Comissão de Ética Pública da Presidência para que seja destituído do cargo de ministro, ele disse que ainda não conversou com o novo presidente do colegiado, Sepúlveda Pertence, mas previu um "diálogo diferente" do que foi a relação com Marcílio. "Eu quero, com o coração limpo, procurar o ministro Sepúlveda Pertence, que é outro nível, é um jurista, é homem com honra ilibada, não tem parte, não representa grupo econômico", comentou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.