Lupi teria dificuldades na Previdência, admite Lula

Ao empossar Carlos Lupi, do PDT, no cargo de ministro do Trabalho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quinta-feira, 29, que resolveu não entregar a Previdência ao PDT, como cogitou inicialmente, porque o ministério "é quase uma questão de fé", numa referência aos problemas do setor. "Certamente você teria dificuldades em alguns temas", admitiu o presidente a Lupi. Ele reafirmou que uma reforma da Previdência não deve ser proposta pelo governo, mas pela sociedade. "Essa proposta deve ser feita por aqueles que pagam e recebem. Só assim a sociedade terá um sistema de seguridade social, mais condizente com as necessidades dos nossos trabalhadores", disse.Sobre a participação do PDT no seu segundo mandato, Lula disse que uma coalizão de governo deve unir pessoas que estão em lados opostos. No discurso, Lula lembrou momentos de divergências que teve com o partido de Leonel Brizola e também de momentos de união, como na campanha das Diretas e no segundo turno da eleição de 1989.Lula citou personalidades do trabalhismo como Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola, sob aplausos da platéia, em parte formada por filiados do PDT. Para o presidente, o PDT está voltando a onde nunca deveria ter saído: "do nosso lado e do governo". "Não podemos esquecer das vezes em que estivemos juntos, desde a campanha das diretas, a redemocratização, o apoio de Brizola, em 89, no segundo turno, e a eleição que ele foi meu candidato a vice", afirmou. Lula recomendou ao novo ministro do Trabalho que mantenha o diálogo com todas as centrais sindicais. "Lupi, você conhece o movimento sindical, sabe como tratar essa gente. Quando as coisas estiverem ruim, quem estará ao seu lado é o trabalhador brasileiro, pois ele reconhece o que a gente faz. E Deus te abençoe e que o Miro não te atrapalhe", brincou o presidente, referindo-se ao deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), ex-ministro e crítico do governo.Marinho fez o que deviaO presidente também disse no discurso de posse do novo ministro da Previdência, Luiz Marinho, que a responsabilidade dele no cargo é "consertar o problema previdenciário, sem jogar no colo dos pobres" a responsabilidade de um déficit de R$ 47 bilhões. No discurso, Lula explicou que tirou Marinho do cargo de ministro do Trabalho, por avaliar que a área não precisava mais dele. "A capacidade de negociação do Marinho garantiu que tivéssemos o salário mínimo que temos hoje, avaliarmos a alíquota do Imposto de Renda e estabelecermos mais recursos para financiamentos de obras de infra-estrutura", afirmou. "Esse cara (Marinho) já fez o que tinha que fazer no Ministério do Trabalho. E agora, o Ministério do Trabalho tem uma história em que o movimento social se tornou mais forte e aprendeu a andar e a reivindicar".

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