Lupi: 'Meu problema não é com o Aécio, é com o PSDB'

Presidente nacional do PDT admite possibilidade de apoiar nas eleições presidenciais de 2014 Eduardo Campos, do PSB, mas descarta aliança com PSDB, presidido por Aécio Neves

Daiene Cardoso, Agência Estado

23 de agosto de 2013 | 20h33

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, disse que o partido só decidirá em 2014 qual rumo irá tomar na sucessão presidencial, mas adiantou que a sigla sempre se colocará "à esquerda" do atual governo, embora a tendência natural de hoje seja de permanecer ao lado da presidente Dilma Rousseff. Neste campo, Lupi admitiu que a sigla pode eventualmente apoiar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), mas rechaçou a ideia de fazer aliança com o PSDB. "Meu problema não é com o Aécio (Neves), é com o PSDB", disse.

Para Lupi, o partido de Aécio representa atualmente as ideias da direita, o que seria incompatível com as bandeiras do PDT. "É como gostar do padre e não conseguir entrar na igreja", comparou o ex-ministro do Trabalho. Lupi disse que mantém uma amizade de 20 anos com o senador tucano, fez elogios à capacidade de gestor de Aécio, mas deixou claro que não cogita nenhuma aproximação com o PSDB. Lupi também descartou qualquer aliança com o PPS, se o candidato da legenda for o ex-governador de São Paulo José Serra. "Serra está à direita, da direita, da direita."

O dirigente do PDT disse ser aliado de longa data do PSB em Pernambuco e que mantém contato permanente com Campos. "É o nosso campo", definiu. Já com Dilma, Lupi destacou que mantém conversas permanentes. "Mas quem a gente ama, necessariamente não casa", declarou. De acordo com Lupi, a prioridade do PDT é ter candidato próprio e o mais cotado seria o senador Cristovam Buarque (DF).

"Hoje estamos no governo, mas só o tempo vai dizer (se manterão a aliança em 2014)", ressaltou o ministro do Trabalho, Manoel Dias. Para o atual titular da pasta que foi ocupada por Lupi, ainda é cedo para dizer que o modelo petista de administração está saturado. "Quem vai dizer é o povo", desconversou.

Quanto à possível candidatura da ex-senadora Marina Silva, Lupi revelou que não mantém contato com os "marineiros", mas se mostrou solidário às dificuldades que Marina enfrenta junto à Justiça Eleitoral para viabilizar a Rede Sustentabilidade. O cacique do PDT disse que há pouco rigor com alguns, principalmente as siglas criadas por escritórios de advocacia e sem bandeira política, e muito rigor com outros.

Neste fim de semana, o partido promove em Brasília seu quinto congresso onde a pauta, segundo Lupi, não será 2014, mas sim as demandas sociais e a busca da "sintonia com as ruas''. O dirigente disse que a população deu o seu recado nas manifestações de junho, reconheceu que a mobilização se arrefeceu e criticou as siglas que tentam se apropriar de um movimento que começou de forma espontânea. "Tem gente que usa até o Papa na televisão", alfinetou Lupi, numa referência ao programa partidário do PMDB exibido nessa quinta-feira, 22.

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