Lupi cede a pressão e diz que vai deixar presidência do PDT

Ministro enfrenta ainda uma série de denúncias de irregularidades em convênios com ONGs ligadas ao PDT

Eugênia Lopes e Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo,

06 de março de 2008 | 20h23

Depois de três meses de desgaste por causa da recomendação da Comissão de Ética da Presidência da República de que se afastasse da presidência do PDT, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou nesta quinta-feira, 6, que vai deixar o comando do partido. Lupi alegou que não quer causar constrangimento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No fim da tarde, o ministro reuniu-se com o novo presidente da Comissão de Ética, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence.   Veja também:    Não há impedimento 'ético ou legal' contra Lupi, diz PDT  Lupi vê 'ranço udenista' em denúncias contra ele  CGU investigará convênios do Ministério do Trabalho  Lupi cancela 3 convênios com ONGs e nega acusações   Lupi aguardava apenas a posse de Pertence para formalizar sua decisão, já que estava em confronto direto com o ex-presidente da comissão, o ex-ministro da Fazenda Marcílio Marques Moreira. Para o ministro, afastar-se da presidência do PDT com Marcílio à frente da comissão soaria como uma derrota ainda maior. Além da pressão para abrir da condição de dirigente partidário, Lupi enfrentou uma série de denúncias de irregularidades em convênios firmados pelo Ministério do Trabalho com ONGs ligadas a políticos do PDT. O ministro nega qualquer envolvimento em favorecimento das instituições.   Com a chegada de Sepúlveda Pertence, Lupi alegou que "o clima mudou" e que o novo presidente da comissão não cobrava sua saída. Mas reconheceu que o presidente Lula estava em uma situação difícil porque teria que optar entre ignorar a recomendação da Comissão de Ética ou demitir o ministro.   Com o afastamento, Lupi disse que seu substituto será o primeiro vice-presidente do partido, o deputado Vieira da Cunha (RS), atual líder do PDT na Câmara. Segundo Lupi, a posse do vice, em caso de licença do presidente, está previsto no estatuto do partido.   Lupi formalizou a saída do comando partidário um dia depois da reunião com a cúpula do PDT, quando solidariedade pública, embora tenha sido aconselhado, em reunião fechada, a se afastar o mais rápido possível. O ministro não quis anunciar o pedido de licença na ocasião para não deixar a impressão de que tinha sido forçado pelos companheiros de partido.   Na noite de quarta-feira, o líder do PDT no Senado, Jefferson Péres, chegou a comentar: "Se ele sair depois da reunião, vão dizer que ele foi destituído pelo PDT." Lupi assumiu a presidência do PDT, onde milita há 27 anos, depois da morte do líder trabalhista Leonel Brizola, em 2004.

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