Lupi aconselha Paulinho a deixar direção estadual do PDT

Ministro, que é presidente licenciado da sigla, diz que deputado deve se defender do processo de cassação

03 de junho de 2008 | 20h07

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, recomendou nesta terça-feira, 3, que o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, avalie a possibilidade de um afastamento temporário da presidência do diretório estadual do PDT em São Paulo para se defender no processo de cassação aberto contra ele no Conselho de Ética. Ele é acusado de envolvimento em fraudes nos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Paulinho já estaria decidido a se licenciar da presidência estadual do partido, segundo revelou o Estado na edição do último domingo, mas nega que a saída da direção tenha relação com as denúncias.   Veja também: Conselho de Ética abre processo disciplinar contra Paulinho Processo 'é ótimo' para eu me defender, diz Paulinho Entenda o esquema de desvio de verbas do banco estatal Grupo aliado aconselha Paulinho da Força a renunciar   Carlos Lupi, que é presidente licenciado do PDT, disse ter ponderado ao colega de partido que em determinadas situações o afastamento é uma opção que colocaria o parlamentar "numa posição mais confortável" para se defender das acusações. "Estamos (o PDT) numa situação em que não podemos colocá-lo numa posição de constrangimento. Não posso prejulgar ou condenar ninguém, não é o meu papel. Quem não deve não teme", disse o ministro.   A decisão sobre a licença da direção do partido teria sido tomada para que Paulinho possa dedicar mais tempo à sua defesa nas acusações. O cargo deve ser ocupado pelo atual secretário-geral do partido no Estado, o também deputado Reinaldo Nogueira. Nogueira contou ao Estado que Paulinho conversou na quinta-feira com Lupi e já havia aceitado a recomendação do ministro para pedir licença.   Paulinho nega qualquer envolvimento no caso BNDES e descarta renúncia do mandato de deputado. O processo no conselho pode levar à cassação. O presidente do órgão, Sergio Moraes (PTB-RS), disse que o prazo para a renúncia terminou no início da sessão.   As duas representações contra o deputado - uma do corregedor-geral da Câmara, deputado Inocêncio de Oliveira (PR-PE), e outra do PSOL - foram agrupadas. Paulinho tem a partir de agora prazo de cinco sessões para apresentar sua defesa e o relator, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), dispõe de 90 dias para apresentar o parecer, prorrogáveis por mais 90. "Espero concluir o relatório no menor prazo possível e já na próxima semana ouvir o acusado", disse Piau.     Após a abertura do processo, Paulinho disse que achou "ótimo". "É tudo o que a gente queria. Ter a oportunidade de me defender", declarou. Ele reafirmou que a denúncia contra ele é "uma armação política". Sem mencionar nomes, Pereira da Silva afirmou que há empresários e políticos "poderosos" por trás da denúncia. Disse que ainda está recolhendo informações para ter provas da suposta armação. "Vou poder explicar à sociedade brasileira essa armação política contra mim, (feita) por causa da minha atuação em defesa dos trabalhahdores", declarou.   O deputado fez as declarações em entrevista após um encontro com o presidente do Senado, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). Na reunião, Pereira da Silva e representantes de diversas centrais sindicais pediram a Garibaldi rapidez na votação do projeto que reduz a jornada de trabalho - de 44 horas semanais para 40 horas. A audiência com Garibaldi foi parte de um movimento que as centrais sindicais têm feito em vários pontos do País, nos quais recolheram 1,575 milhão de assinturas a favor da redução da jornada de trabalho.   (Com Agência Brasil)

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