Lula: 'vou continuar andando pelo País'

Ao lançar o Plano Safra da Agricultura Familiar 2010/2011, que prevê R$ 16 bilhões em financiamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que pretende continuar andando pelo País após deixar o governo. "Quem pensa que vai se livrar de mim porque vou deixar a Presidência, vai cair do cavalo", afirmou. Em discurso de improviso que durou 25 minutos, Lula disse ainda que já estava sentindo saudades dos agricultores familiares."Vou continuar andando por este País tomando café na casa de vocês e, se for na hora do almoço, tomando uma caninha produzida por vocês".

LEONENCIO NOSSA, Agência Estado

17 de junho de 2010 | 13h37

Ele aproveitou o discurso para ironizar os funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Lula disse que o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, tem muita dificuldade de fazer novos assentamentos por causa das greves no órgão. "Pense num povo que gosta de greve. Tem hora que eles fazem greve para a gente perceber que estão em greve. É a greve pela greve".

Lula disse que os líderes sociais da área rural foram nos oito anos de seu governo leais e compreensivos. Ele admitiu que não conseguiu atender boa parte das reivindicações do setor e ressaltou que o seu governo foi o que mais negociou com o movimento social do meio rural. "Vocês pensam que estou satisfeito. Eu não estou satisfeito. Eu quero mais. Eu como vocês entendo que o ser humano não tem limite de desejo".

O presidente citou como uma das ações importantes do governo na área rural o Programa Luz para Todos que, nas contas dele, levou energia elétrica para 12 milhões de pessoas. Lula disse que só o Estado poderia desenvolver um projeto como o Luz para Todos, que custou R$ 12 bilhões. "Esses brasileiros que moram lá nos cafundó de judas merecem o mesmo respeito dos cidadãos que moram na Avenida Atlântica ou na Paulista".

Burocracia

Antes de Lula discursar, o representante da Via Campesina, frei Sérgio Gorgen, reclamou da burocracia do Estado, que segundo ele impede trabalhadores rurais de ter acesso a ações do governo. "Ainda temos um mar de papel para atravessarmos até o outro lado", disse. "Infelizmente as políticas públicas ainda não chegaram a todos. Companheiros ainda moram em barracos de lona. A reforma agrária ideal dos nossos sonhos ainda não chegou".

Gorgen também elogiou Lula. Ele comparou o presidente a São Francisco de Assis, por atuar no processo de negociação para resolver a crise ligada ao programa nuclear iraniano. Em seu discurso, Gorgen disse que São Francisco buscava uma negociação entre muçulmanos e os homens das Cruzadas.

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