Lula voltará a despachar do Palácio do Planalto na 5ª

Depois de um ano e cinco meses de obras e com pelo menos quatro meses de atraso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai retomar na quinta-feira a rotina de despachos e cerimônias no Palácio do Planalto. A obra custou R$ 111 milhões, R$ 1 milhão a mais do que o teto previsto no orçamento. Na quinta-feira, o presidente tem duas cerimônias agendadas para a manhã no novo salão Oeste, que foi totalmente pintado e teve suas velhas e verdes persianas verticais trocadas por novas, que permitem a entrada da luz, mas não do calor.

TÂNIA MONTEIRO, Agência Estado

24 de agosto de 2010 | 20h39

Entre as principais modificações destacam-se a nova sala de audiências do presidente da República, onde ele recebe autoridades estrangeiras, agora blindada e com vista para a Praça dos Três Poderes, no terceiro andar. Além disso, foi substituída a antiga mesa que deu nome ao salão oval, no segundo andar, construído pelo ex-presidente Fernando Collor para abrigar as reuniões ministeriais. No local há agora uma maior, com 19 cadeiras de cada lado e preparada para uso de computadores e telefones. Ainda, o piso do gabinete presidencial e da maior parte do Palácio agora é de mármore branco, em substituição ao carpete.

No quarto andar, paredes foram derrubadas e os gabinetes dos ministros passaram a ter tamanho padrão. Muitas salas desapareceram, assim como o antigo jardim de inverno onde estavam os azulejos de Athos Bulcão, destruídos com a obra. Alguns fragmentos do original foram recuperados e, para completar as paredes em frente aos elevadores tanto na ala oeste quanto na leste, foram feitas réplicas.

Um grande salão que existia no desenho original do Palácio foi resgatado, com a retirada de gabinetes que ficavam voltados para a Esplanada, como o do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que foi para o segundo andar.

Com a redução de salas e divisórias, que se ampliaram no governo Lula, a população que habitava o prédio principal precisou diminuir de 590 funcionários para 350. Os demais foram transferidos para os anexos do Planalto e o bloco A da Esplanada. No quarto andar permaneceram apenas os gabinetes dos ministros da Casa Civil, da Secretaria de Relações Institucionais e da Secretaria-Geral. O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação continua no segundo andar do Planalto, tendo agora, como vizinho, o chefe do GSI.

A galeria com as fotos dos presidentes, que ficava no corredor do terceiro andar que dava acesso ao gabinete de Lula, será transferida para o térreo. A entrada principal do Planalto, que no desenho original era ampla e aberta, agora tem um extenso balcão com seguranças e detectores de metal para verificar entrada e saída de pessoas. Foi criado também um "puxadinho" de três andares na parte de trás do Planalto, onde foram construídas as copas e as escadas de incêndio.

Gabinete presidencial

No gabinete de Lula, além da substituição dos vidros por novos, também blindados, poucas foram as modificações, já que o presidente não aceitou a oferta que lhe foi feita de trocar os móveis do tempo de Getúlio Vargas pelos usados por Juscelino Kubitschek. Mas muitos destes móveis foram distribuídos pelo palácio, assim como outras peças que estavam em depósitos do Senado, da Câmara, do Tribunal de Contas da União (TCU) e de outros ministérios.

Também foram adquiridos sofás e cadeiras de couro do design Sérgio Rodrigues para serem espalhados pelo mezanino no terceiro andar, assim como várias peças para sentar desenhadas por Oscar Niemeyer, em madeira, e assento de palha trançada denominada Marquesa.

O gabinete da primeira-dama Marisa Letícia foi preservado no terceiro andar, a poucos metros do ocupado pelo presidente Lula. Seu banheiro ganhou um espelho de cristal redondo com moldura de jacarandá, que estava junto com outros em um depósito de Sérgio Rodrigues, avaliada em R$ 4 mil.

Antes mesmo de Lula visitar o Planalto e seu novo gabinete, o que deverá ocorrer amanhã, um dos salões, o Leste, já estava ocupado hoje para uma reunião entre a ministra do Desenvolvimento Social, Márcia Lopes, e o chefe de Gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, além de representantes do movimento nacional de populações de rua.

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