Lula volta hoje ao palanque de Marta

Comício em Vila Nova Cachoeirinha terá participação do presidente

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

20 de setembro de 2008 | 00h00

Vinte dias depois de sua estréia na campanha paulistana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subirá novamente hoje no palanque da candidata do PT à prefeitura, Marta Suplicy. Ao participar do segundo comício ao lado de Marta, desta vez em Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte, Lula seguirá estratégia planejada pela comando petista para pegar carona em sua popularidade: vai dizer que os adversários estão desesperados porque a candidata conta com seu irrestrito apoio.O presidente também gravará neste fim de semana mais um depoimento para o programa de Marta no rádio e na TV. Ainda hoje, no fim da tarde, ele abrirá o comício de Oswaldo Dias (PT), que concorre à Prefeitura de Mauá, no ABC paulista.A equipe de Marta avalia que o reforço de Lula, nesta etapa da campanha, é fundamental para aumentar sua distância em relação ao prefeito Gilberto Kassab (DEM), que disputa a reeleição, e ao ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB)."A oposição está desarvorada e a briga pelo segundo lugar tem sido muito dura", afirmou a a ex-ministra do Turismo. Dirigentes do PT comemoravam ontem o aumento da temperatura na troca de estocadas entre Alckmin e Kassab.RINGUEO publicitário João Santana, marqueteiro da campanha de Marta, disse aos petistas que, quanto mais os dois brigarem, melhor será para a candidata do PT, alvo da artilharia por estar em primeiro lugar.No diagnóstico de Santana, enquanto Alckmin e Kassab sobem no ringue político, os ataques na direção de Marta diminuem. Não é só: pesquisas qualitativas em poder do marqueteiro indicam que a maioria dos eleitores não gosta de luvas de boxe na campanha e alguns chegam até a trocar de candidato.Levantamentos encomendados pelo comitê de Marta mostram, ainda, que o desafio da candidata, para atrair mais votos até 5 de outubro, é conquistar o que o governo Lula batizou de "nova classe média". São pessoas que têm salários na faixa de R$ 1,5 mil e muitas vezes ainda moram na periferia.Foi para fisgar esses eleitores que a equipe da petista investiu em propostas como a da internet sem fio e gratuita, ironizada por Kassab em seus comerciais, além da isenção do Imposto Sobre Serviços (ISS) para autônomos. Pelos cálculos do PT, cerca de 730 mil trabalhadores - entre os quais taxistas e corretores - serão beneficiados.Na tentativa de diminuir a rejeição da candidata, a agenda reservada da petista também revela encontros para explicar melhor suas propostas. Nesta semana, por exemplo, ela conversou com padres. Não sem motivo: a Igreja Católica sempre foi contra seu projeto de união civil entre pessoas do mesmo sexo.

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