Lula volta a Salvador para último empurrão em Pelegrino

Ex-presidente participou de uma carreata cerca de uma hora e curto comício na periferia da cidade

João Domingos e Tiago Décimo - Agência Estado,

24 de outubro de 2012 | 17h31

SALVADOR - A quatro dias do segundo turno da eleição à Prefeitura de Salvador, em que ACM Neto (DEM) aparece com 47% das intenções de voto contra 39% de Nelson Pelegrino (PT), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou à capital baiana para tentar um último empurrão na candidatura do aliado. Sob forte calor, Lula participou de uma carreata de cerca de uma hora, seguida de curto comício, na periferia da cidade.

Para não expor a pele ao sol forte do meio-dia, o ex-presidente contou até com um Lulamóvel, no qual foi instalado um toldo sobre a carroceria de uma caminhonete. Ao longo do percurso, o ex-presidente encontrou centenas de cabos eleitorais do DEM, postos ali justamente para marcar a presença na carreata petista. Mas não houve tumultos. Ao lado de Lula, partidários de Peregrino gritavam para os que portavam bandeiras do DEM: "Ganhe seu dinheiro, mas vote no 13 de Pelegrino".

No discurso de pouco mais de seis minutos - ele foi para Cuiabá (MT) em seguida -, Lula não poupou ACM Neto de críticas - que chegaram a respingar também no atual prefeito da capital baiana, João Henrique Carneiro (PP). Depois de começar dizendo que não ia "falar mal de ninguém", o ex-presidente chamou Neto de "mentiroso".

"Agora, ele está contando uma mentira sórdida: que foi o avô dele quem criou o Bolsa-Família", comentou Lula, em alusão à campanha do Democrata, no qual Neto diz ser a favor do Bolsa-Família por ele ter como origem o Fundo de Combate à Pobreza, criado pelo senador Antônio Carlos Magalhães (morto em 2007). "A Bolsa-Família que eles criaram foi outra, só atendeu a uma família, a deles."

Lula também voltou a fazer pouco de Neto ao lembrar, mais uma vez na campanha, do discurso no plenário da Câmara, em 2005, no auge do escândalo do mensalão, quando o deputado anunciou que daria "uma surra no presidente". "Ele disse que queria me bater, mas eu jamais ia brigar com ele porque, se eu batesse, seria uma vergonha, e se eu apanhasse, seria uma vergonha e meia."

Os ataques do ex-presidente chegaram ao prefeito João Henrique - que integra um partido da base do governo federal, o PP. "Não é nossa responsabilidade se o atual prefeito é um fracassado e não fez as coisas que prometeu", alegou. "Depois de um prefeito que não fez o que prometeu, a gente não vota no pior, a gente vota no melhor. Nós temos história. É só ir a qualquer cidade que o PT governou que a gente vai perceber que o PT governou melhor do que eles (DEM)."

Ao fim do curto discurso, Lula lembrou que completa 67 anos no sábado - disse estar "parecendo um menino de 30" - e pediu, "do fundo do coração", votos para Pelegrino como "presente". "Porque eu não acredito que tenha alguém que ame mais o povo brasileiro do que eu, que tenha alguém que trate o pobre com mais respeito do que eu", argumentou. "Então, em nome dessa relação, em nome dessa lealdade entre nós, que queria pedir de presente para o povo de Salvador, a eleição de Pelegrino."

O discurso foi encerrado com um "Parabéns para Você" das cerca de 1,5 mil pessoas presentes no evento, puxado pelo governador Jaques Wagner (PT).

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