Lula volta a ironizar slogan de Serra: 'Quando tudo está pronto, fica fácil'

Presidente relaciona slogan 'Brasil pode mais' a avanços atribuídos ao seu governo

Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2010 | 13h16

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ironizar o slogan 'O Brasil pode mais', usado pelo tucano José Serra no lançamento de sua pré-candidatura à Presidência da República, no sábado, 10. Lula afirmou nesta quarta-feira, 14, em discurso em evento do Sebrae, em Brasília, que o governo criou um momento mágico, que está permitindo aos brasileiros acreditar que é possível ir além nas conquistas econômicas e sociais.

 

"Temos de aproveitar esse momento de ouro que o Brasil está vivendo. Todo mundo está acreditando que pode um pouco mais", disse Lula. "Hoje, o prato está feito e ninguém quer saber quem fez", completou. Em evnto no último sábado, Lula já havia ironizado o slogan de Serra, afirmando que era uma cópia do slogan de Obama 'Yes, we can' ('Sim, nós podemos').

 

Assessores do Planalto dizem que Lula avalia que esse mote "nós podemos mais" sempre fez parte dos seus discursos e que agora a oposição está tentando usar isso para ganhar votos. Já para o blogueiro do Estadão.com.br, José Roberto de Toledo, o mote de Serra foi reciclado da frase que embalou a campanha da chapa vitoriosa no Santos F.C. na última eleição para a diretoria do clube: 'O Santos pode mais'.

 

Num longo discurso de improviso, Lula disse que, desde o movimento sindical, nos anos 70, ele e seu grupo político fizeram uma pequena revolução de comportamento no País. "Quando tudo está pronto, fica fácil não querer dizer quem fez", disse Lula. Ele ainda usou como metáfora a figura da mãe que faz a comida e o filho que costuma não dar valor.

 

Dirigindo-se a funcionários do Sebrae, Lula disse que o órgão precisa mapear mais o país para buscar oportunidades nas "entranhas do sertão". "Acho que vocês podem fazer mais do que estão fazendo", disse Lula, deixando de lado a ideia de continuísmo.

 

"Muitas vezes, a gente se deixa acostumar com a mesmice e espera, em casa, as pessoas nos procurarem", disse. Lula ressaltou o fato de o seu governo ter diversificado as relações comerciais. Ele lembrou que, antes de 2003, o comércio com os Estados Unidos representava 30% e, com a Europa, outros 30%. Segundo ele, esses números mudaram. Ele observou, por exemplo, que o comércio com o continente africano chegou a US$ 25 bilhões e com a Itália US$ 9 bilhões.

 

O presidente ressaltou um aumento no crédito do país. Nas contas dele, em 2003, havia um montante de crédito de R$ 380 bilhões e hoje essa soma chega a R$ 1,450 trilhão. Lula ainda defendeu a criação de um ministério da Micro e Pequena Empresa. Ele adiantou, no entanto, que nesta etapa final de governo não pretende criar uma nova pasta.

 

Ele disse que, assim como é impossível um ministério ser responsável por proprietários de terra que possuem 200 mil hectares e ao mesmo tempo de pequenos agricultores de 10 hectares, é estranho não ter no país uma pasta específica para o micro e pequeno empresário. Na estimativa do presidente, só nos últimos anos, o saldo de empresas que abriram e fecharam é positivo em 2,4 milhões de empresas, o que teria gerado 8 milhões de novos empregos.

Tudo o que sabemos sobre:
LulaJose SerraEleicoes 2010

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.