Lula volta a elogiar ''mãe do PAC'' e ataca oposição

No Rio, pela manhã, presidente seguiu estratégia de reduzir exposição de Dilma, mas nos eventos da tarde voltou a colocar ministra em evidência

Alexandre Rodrigues e Wilson Tosta, O Estadao de S.Paulo

01 de abril de 2008 | 00h00

No Rio para lançar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a apresentar ontem a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como a "mãe do PAC", a exemplo do que já tinha feito no início do mês, quando visitaram favelas cariocas onde estão sendo feitas obras com dinheiro federal. O presidente também fez discurso duro contra a oposição.Na programação da manhã, em Itaboraí, Lula seguiu a estratégia do Planalto de reduzir a exposição política de Dilma por causa do escândalo do dossiê contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Durante os eventos na parte da tarde, no entanto, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o presidente deixou a recomendação de lado e voltou a colocar a ministra em evidência. Em discurso, Lula convocou Dilma, com o vice-governador e secretário de Obras do Rio, Luiz Fernando Pezão, para o centro do palanque. "O Pezão é o pai do PAC no Rio. A Dilma é a gerente nacional do PAC. Por isso que eu disse que ela era a mãe do PAC", afirmou Lula. Sorridente, sentada todo o tempo ao lado do presidente, Dilma reagiu aos afagos com gestos contidos. A algumas pessoas que gritaram seu nome, respondeu com acenos. Diferentemente do evento em Itaboraí, no qual teve postura discreta, a ministra também discursou. Ela prometeu que o PAC investirá no Estado do Rio R$ 75 bilhões até 2010 e disse que o plano de investimentos será uma oportunidade de superar décadas sem crescimento e oportunidades de trabalho para várias gerações. "Num país grande, rico e populoso como o nosso a palavra certa é oportunidade. O PAC é um construtor de oportunidades para as pessoas. O PAC quer gerar emprego, dar qualidade de vida e permitir que haja no País um crescimento econômico que leve a um aumento do consumo. Que cada um dos brasileiros possa ter direito a consumir aqueles bens que são característicos da civilização", discursou Dilma. Descontraída, a ministra chegou a brincar com a câmera do fotógrafo da Presidência. O relator da CPI dos Cartões, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), que tenta evitar a convocação da ministra para depor na comissão, estava perto dela no palanque e se ofereceu para servir-lhe água.HERANÇASob pressão do escândalo do dossiê, Lula, em um pronunciamento duro, chamou a oposição do PSDB e do DEM para o confronto. Ele retomou o discurso da suposta herança maldita que recebeu dos tucanos ao assumir a Presidência em 2003 e afirmou que o País só tem dinheiro para investimentos como os previstos no PAC porque seu governo conseguiu "arrumar a casa" - que teria sido desarrumada por partidos que agora o atacam."Sei que tem algumas pessoas que são nossos opositores que não gostam que eu esteja aqui. Na verdade, o que gostariam é que nós estivéssemos nos nossos gabinetes vendo eles fazendo críticas a nós", discursou em Duque de Caxias. "Nós fomos eleitos para trabalhar. Enquanto a oposição grita e xinga, a gente trabalha. E vamos ver quem é que produz mais resultado para o povo." Sem citar diretamente FHC, Lula disse que o Brasil só tem recursos para as obras do PAC porque seu governo conseguiu recuperar o País depois do governo tucano. "Todo mundo sabe como estava o Brasil quando nós tomamos posse. Precisamos arrumar a casa", afirmou. O presidente voltou a criticar a oposição pelo fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) que, segundo ele, teve a intenção de inviabilizar o PAC da Saúde. Mas, segundo Lula, o governo fará os investimentos planejados. "Eles derrotaram a CPMF para a gente não ter R$ 40 bilhões a mais, mas de qualquer forma vamos melhorar saúde. A partir de abril, qualquer dia desses vocês vão me ver na televisão. Eu vou a uma cidade qualquer do Brasil, onde vamos começar um programa chamado Saúde da Família nas Escolas", prometeu o presidente.

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