Lula volta a descartar possibilidade de 3º mandato

Presidente comemorou seus 62 anos ao lado da família e militantes

VANNILDO MENDES E EUGÊNIA LOPES, Agência Estado

27 Outubro 2007 | 13h22

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou neste sábado, 27, a proposta de terceiro mandato, levantada por aliados políticos e cada vez mais forte na militância petista. Ele disse ser favorável à alternância do poder e considerou "um atraso" ficar discutindo agora a sucessão de 2010. "Esse negócio de você achar que tem pessoas imprescindíveis, insubstituíveis, não existe na política. Tá cheio de brasileiros e brasileiras em condições de governar o País", completou.       O movimento pelo terceiro mandato de Lula é liderado pelo deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), seu amigo desde as lutas sindicais do ABC paulista na década de 70. O parlamentar quer a realização de um plebiscito sobre a questão junto com as eleições municipais de 2008. Paralelamente, o deputado Carlos Willian (PTC-MG) está consultando seus colegas sobre a possibilidade de coletar assinaturas para uma emenda constitucional estabelecendo o terceiro mandato. "Não apoio e não acho necessária uma proposta dessa", disse o presidente.       Lula deu essas declarações após participar de uma breve comemoração do seu aniversário de 62 anos, com populares e militantes em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília. Descontraído, trajando camiseta vermelha e calça branca, Lula, que estava acompanhado da primeira dama, dona Marisa Letícia, foi saudado pelos presentes, reunidos sob um toldo improvisado perto do portão de entrada do palácio. Os manifestantes, cerca de cem, muitos sindicalistas, portando bandeiras e adesivos petistas, receberam o presidente cantando euforicamente "Lula Lá", jingle da primeira campanha presidencial do petista, em 1989, que virou uma espécie de hino da militância. Como a comemoração foi autorizada de última hora, os manifestantes foram reunidos às pressas pelo petista José Zunga, antigo amigo de Lula e ex-presidente da CUT em Brasília.       A seguir eles cantaram parabéns, posaram para fotos e abraçaram o presidente. Zunga disse que gastou R$ 50 do próprio bolso na compra de um bolo, refrigerantes, doces e pirulitos para as crianças. Eles evitaram fazer manifestações explícitas em defesa do terceiro mandato, mas saudaram o presidente orquestradamente levantando três dedos, em vez do tradicional V de vitória.       "Por mim, ele seria presidente para sempre", disse a militante Marília Avelino, que trajava um vestido fabricado com a bandeira da última campanha, em 2006, que reelegeu Lula. A frente exibe a foto de Lula e na parte de trás o destaque é a frase "Lula de novo com a força do povo".       Diante de um público composto por servidores públicos, o presidente também criticou os abusos praticados por grevistas em serviços essenciais e defendeu a regulamentação do direito de greve no setor público. Lula defendeu a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar o corte dos dias parados e restringir o direito de greve no funcionalismo. "O direito de greve é uma conquista universal dos trabalhadores, mas quando você faz greve, não é férias e não é justo que receba pelos dias parados". "Um cidadão que fica 90 dias de greve e recebe o salário, significa que não foi greve, foi férias". Ele defendeu que seja feita uma regulamentação sem pressa do direito de greve da categoria, de comum acordo com os sindicatos de servidores.     Jantar     As comemorações do aniversário de 62 anos do presidente Lula começaram na sexta-feira, 26, à noite com um jantar para 80 convidados, entre ministros de Estado e lideranças governistas na Câmara e no Senado, no Palácio da Alvorada. Não houve dança na festa, que foi animada por uma banda de músicos da Aeronáutica. Os convidados foram distribuídos por dez mesas e a comida foi caseira: churrasco, feijão tropeiro, mandioca e cordeiro. Para acompanhar, vinhos e espumantes nacionais.       No jantar, que durou cerca de quatro horas, as conversas foram sobre amenidades, segundo informou o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia. "Ninguém falou sobre um eventual terceiro mandato para o presidente Lula. Aliás, esse assunto não está na pauta", garantiu o ministro. Lula recebeu os convidados ao lado dos filhos e da primeira-dama Marisa Letícia. Depois de soprar as velinhas e cantar parabéns, os músicos tocaram "Carinhoso", de Pixinguinha e João de Barro, e foram acompanhados pelos convidados.

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