Félix R./Futura Press
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Lula volta a Curitiba pela primeira vez após deixar a prisão

Ex-presidente faz a primeira viagem à cidade onde ficou preso por 580 dias; ex-juiz lembra os oito anos da Lava Jato

Luiz Vassallo, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2022 | 05h00

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retorna nesta sexta-feira, 18, a Curitiba pela primeira vez desde que deixou a prisão. O petista permaneceu 580 dias em uma sala especial da Superintendência da Polícia Federal cumprindo pena na Lava Jato. Na véspera da visita, o ex-presidente foi provocado por seu rival egresso da operação, o ex-juiz Sérgio Moro – presidenciável do Podemos. 

Lula escreveu nesta quinta-feira no Twitter que a Petrobras, em seu governo, foi “transformada na segunda empresa de petróleo do mundo”. “Mas o que eles fizeram? Começaram a destruir a Petrobras”, disse, sem dizer quem seriam “eles”. Moro rebateu afirmando que “não teria dia mais infeliz” para o comentário. “Há exatos 8 anos, a Lava Jato prendia um diretor da Petrobras que você nomeou e que recolheu propina por uma década”, escreveu o ex-juiz. O ex-diretor preso foi Paulo Roberto Costa, um dos primeiros alvos da Lava Jato, que delatou e aceitou devolver R$ 100 milhões aos cofres públicos. 

Moro errou a data da prisão de Costa, que foi no dia 20, e não 17 de março de 2014. Naquele dia, o executivo foi conduzido coercitivamente, marcando o início de um longo processo que levou para à prisão também o ex-presidente e os maiores empreiteiros do País. Segundo dados do Tribunal de Contas da União (TCU), o conluio entre empreiteiras provocou um rombo de R$ 18 bilhões. Acordos de delação e leniência fizeram com que R$ 6 bilhões fossem recuperados.

Lula vai a Curitiba participar de evento de filiação do ex-senador Roberto Requião, que será candidato ao governo do Paraná. Coordenador da força-tarefa que ofereceu a denúncia contra Lula, o ex-procurador Deltan Dallagnol, agora pré-candidato a deputado federal pelo Podemos, pretende também “repercutir” a visita do petista à cidade. 

Lula, por sua vez, quer aproveitar para reforçar seu confronto com a operação. Ele dirá, em discurso, que não tem nada contra a cidade, mas sim contra a condução da Lava Jato. No dia seguinte, o ex-presidente seguirá para um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) em Londrina, onde vai homenagear integrantes da vigília que acampou ao lado da PF, e que gritavam “bom dia” e “boa noite” para que o petista ouvisse de dentro da sala especial onde ficou preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro – condenação em segunda instância que posteriormente foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

O processo que levou o petista à prisão se referia ao triplex no Guarujá, que, segundo os procuradores, foi uma forma de pagamento de propina da OAS em troca de benefícios da Petrobras. Lula deixou a cadeia em novembro de 2019, após a decisão do STF que garantiu a condenados em segundo grau o direito de recorrer em liberdade. 

A ficha do petista, no entanto, foi zerada em 2021, quando o STF considerou que Moro foi parcial na condução das ações que levaram à condenação de Lula, e anulou todos os processos contra o petista. Com o fim da batalha judicial, Lula e Moro hoje usam a Lava Jato, cada um do seu jeito, no palanque eleitoral.

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