Lula volta a criticar antecessores e diz que ''''pequena elite'''' faz oposição

Para o presidente, governantes não se preocupavam com ensino universitário porque eles já estavam formados

Eduardo Kattah, CONGONHAS, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2017 | 00h00

Ao exaltar sua política para a área da educação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que enfrenta a oposição de uma "pequena elite" e voltou a criticar seus antecessores. "No Brasil, tem gente que fica horrorizado quando o governo cuida dos mais necessitados", afirmou, durante inauguração de uma Unidade de Ensino Descentralizada (Uned). Sem citar nomes, Lula acusou os governos anteriores de descaso com a oferta de ensino universitário. "Como só governou o País quem já tinha diploma universitário, possivelmente não tivesse a preocupação com aqueles que não tinham diploma, porque já estava formado." Segundo ele, é necessário "cuidar da sociedade como um todo", mas "dos mais pobres em primeiro lugar". "Fazer escola para pobre, fazer escola para os setores médios da sociedade tem gente que não gosta, porque habitualmente o Brasil era governado para uma pequena elite, que tinha acesso a universidade, que tinha acesso a bolsa no exterior."Mais uma vez defendeu o Bolsa-Família. "Tem gente que critica o Bolsa-Família como um programa assistencialista, porque a gente está dando o direito de os mais pobres comerem. Agora, essas mesmas pessoas não criticam uma bolsa de US$ 2 mil que a gente paga para um doutor se formar no exterior. Não podemos aceitar o preconceito contra a bolsa que a gente dá para as famílias mais pobres comerem o feijão que precisam comer."MÃO-DE-OBRANo palco, ao lado dos ministros Fernando Haddad (Educação), Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) e Walfrido Mares Guia (Relações Institucionais), além do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), Lula concentrou seu discurso no tema educação. Dirigindo-se aos jovens, disse que a economia "está bem", mas o País ainda carece de mão-de-obra qualificada. "Em seis meses, nós geramos 1,2 milhão de empregos. E, portanto, é urgente formar a nossa mão-de-obra."Para o presidente, um rapaz de 15 ou 20 anos precisa ser ousado e "não tem o direito de reclamar que as coisas estão ruins". "Não pode ter preguiça para estudar, porque a preguiça de hoje será a desgraça de amanhã."ATAQUESNo Rio, onde visitou o Colégio Pedro 2º, Lula disse que bandidos e prostitutas só existem porque o Estado não oferece oportunidades. E voltou a a atacar "uma pequena elite conservadora" que, segundo o presidente, não quer que os pobres sejam tratados como iguais e gostaria que ele tivesse "ido para casa com o rabo entre as pernas", depois de perder a eleição para presidente três vezes.

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