Lula volta a cobrar recursos para saúde

Em discurso, presidente não menciona CSS, mas ressalta que PAC para setor só terá futuro se houver nova fonte de recursos para financiá-lo

Silvia Amorim e Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2008 | 00h00

No mesmo dia em que a tropa de choque do governo preparava a terceira ofensiva para aprovar a Contribuição Social para a Saúde (CSS) - a nova CPMF - , o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se antecipou a qualquer resultado e disse ser "uma questão de tempo" encontrar novos recursos para a saúde.O presidente, que participou ontem de um evento do Ministério da Saúde, em São Paulo, voltou a criticar o fim do imposto do cheque. Ele não mencionou uma única vez a CSS, mas fez questão de ressaltar que o Programa de Aceleração do Crescimento para a área da saúde, chamado por ele de "a revolução da saúde brasileira", só terá futuro se houver nova fonte de recursos. "É uma questão de tempo. Nós vamos encontrar um jeito de fazer com que funcione", disse.Lula questionou o discurso da oposição, que obstrui há duas semanas a votação do novo tributo na Câmara. E voltou a cobrar dos que trabalharam pela extinção da CPMF o cumprimento da promessa de redução da carga tributária. "Talvez o mais bem elaborado programa de saúde para este país deixou de ser implantado porque alguns resolveram dizer que ia diminuir a carga tributária reduzindo a CPMF. Eu, até agora, não vi um único produto que reduziu 0,38% no custo para o consumidor", ironizou.Ele aproveitou a presença do ex-ministro da Saúde Adib Jatene entre os convidados na platéia para criticar, de forma indireta, os senadores que votaram contra a manutenção da CPMF. "Estou vendo o dr. Jatene aqui. E, dentre outras coisas, tem a minha admiração o Jatene pelo discurso que ele fez lá em Brasília defendendo a manutenção da CPMF, que, lamentavelmente, Jatene, não mexeu nos neurônios , na sensibilidade de alguns senadores."O presidente veio à capital paulista para entregar medalhas do mérito Oswaldo Cruz concedidas pelo ministério ao cardiologista Roberto Kalil, que cuida de sua saúde e de outras autoridades, e ao empresário Antônio Ermírio de Moraes, representado pelo filho Rubens Ermírio de Moraes. Participaram da homenagem o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, o governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab.Mais tarde, na abertura da feira Hospitalar 2008, também em São Paulo, o presidente jogou no colo dos senadores qualquer dificuldade em levar adiante o PAC da Saúde. "A proposta de elaborar um bom plano de saúde desses não é uma vontade do ministro da Saúde. É uma exigência da sociedade."Ao elogiar Kalil, Lula permitiu-se fazer um paralelo com sua vida. "Eu não estive presente no nascimento de nenhum dos meus filhos. Nunca estava em casa", disse. "Não sei se vou carregar isso como remorso. Mas é um consolo para vocês duas (as filhas de Kalil que estavam na platéia) quando pensarem que seu pai estava ausente. Isso é para vocês saberem que muita gente fica ausente, às vezes, mais do que o Kalil."Para o presidente, "todas as pessoas que se sobressaem têm alguma anormalidade". "E uma das anormalidades é trabalhar mais que os outros. E esse que trabalha mais que os outros normalmente tem menos tempo para a família", explicou.FRASESLuiz Inácio Lula da SilvaPresidente"Talvez o mais bem elaborado programa de saúde para este país deixou de ser implantado porque alguns resolveram dizer que ia diminuir a carga tributária reduzindo a CPMF. Eu, até agora, não vi um único produto que reduziu 0,38% no custo para o consumidor""A proposta de elaborar um bom plano de saúde desses não é uma vontade do ministro da Saúde. É uma exigência da sociedade"

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