Lula volta a classificar gasto social como investimento

No rádio, presidente diz que despesa reduziu índice de brasileiros em extrema pobreza de 8,8% para 4,2%

Leonencio Nossa, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2004 | 00h00

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que os recursos dirigidos à área social não devem ser vistos como gastos, mas como investimentos para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros. "Na verdade não estamos gastando, nós estamos fazendo o investimento mais primoroso do mundo, que é o investimento no ser humano, na melhoria da qualidade de vida das pessoas, na melhoria da possibilidade de crescimento para as pessoas." O comentário de Lula foi feito ontem cedo, no programa de rádio Café com o Presidente, divulgado sempre às segundas-feiras.O presidente disse não se importar com as críticas ao aumento das verbas para programas sociais. Na semana passada ele afirmou que em 2008 o governo vai aplicar R$ 72,9 bilhões nesse setor. Isso representa um aumento de 16,6% sobre os R$ 62,5 bilhões que estão sendo aplicados em 2007. "Usando o parâmetro do salário mínimo, a taxa de pobreza extrema caiu de 28% para 16% e o da pobreza caiu de 52% para 38%", argumentou.No programa, ele defendeu mudança na terminologia de gastos na área social: "É preciso que as pessoas compreendam que quando a gente empresta dinheiro para uma empresa construir uma nova fábrica é um investimento. Mas também quando a gente coloca dinheiro na saúde e dinheiro na educação, contrata mais professores, médicos e fiscais, não estamos gastando. Estamos investindo no ser humano." BOLSA-FAMÍLIALula destacou a importância dos programas Bolsa-Família, de agricultura familiar e de microcrédito para as regiões mais pobres. Disse que não se incomoda quando a imprensa divulga que os gastos do governo vão crescer mais do que o Produto Interno Bruto (PIB). "Não me incomoda, porque sei que o dinheiro investido na área social trará como resultado menos jovens na criminalidade, menos gente desempregada ou morrendo por falta de assistência médica, por falta de saneamento básico, por falta de água potável."Disse ainda que acha mais importante dar comida a quem precisa do que investir em infra-estrutura. "Tem gente que acha que não deveria gastar com pobre, tem gente que acha que tudo seria transformado em estrada e em portos e eu acho que nós vamos fazer muitas estradas, muitos portos, muitos aeroportos, muita ferrovia, muitas hidrovias, vamos fazer muita linha de transmissão. Agora, tudo isso é importante, mas mais importante é a gente dar comida para a parte mais necessitada do povo brasileiro."O presidente afirmou que pretende investir ainda mais na área social, para que os pobres tenham condições de crescer. "E vamos fazer muito mais porque durante 500 anos se trabalhou para aumentar a desigualdade. "Temos de trabalhar para diminuir essa desigualdade."

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