Lula volta a atacar ''''elites'''' e diz que ''''é fácil ajudar pobres''''

Em inauguração no Paraná, presidente critica quem fica 'torcendo para as coisas não darem certo'

Evandro Fadel, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2025 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou ontem o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a área de saneamento, no Jardim Guarituba, uma antiga invasão na periferia de Piraquara, região metropolitana de Curitiba, para voltar a atacar as elites. "Tem no Brasil um tipo de gente que não gosta que a gente faça coisas para os pobres", discursou. "E é tão fácil ajudar os mais pobres, porque quando um rico entra no Palácio do Planalto ele quer logo crédito de R$ 1 bilhão, quando o pobre entra ele quer R$ 1 mil, R$ 500."Para ele, o PAC do saneamento, que destina R$ 1,2 bilhão ao Paraná, "é a primeira oportunidade de levar à população mais empobrecida, à periferia mais longínqua, o direito à cidadania". "Eu sei que tem alguém que não acha legal a gente estar colocando R$ 40 bilhões para fazer saneamento básico no País", afirmou. "(O pobre) só vale um banqueiro no dia da eleição, o político é capaz de criticar o banqueiro da cidade, mas não tem coragem de ofender um mendigo que está dormindo na sarjeta. Depois das eleições, o banqueiro toma café com ele, janta, almoça e o mendigo passa quatro anos sem ser chamado para nada."Ele afirmou que "tem gente que fica o tempo inteiro torcendo para as coisas não darem certo". "A inveja e o preconceito são duas doenças malignas que nascem na cabeça das pessoas", completou. "Vão morrer sem entender por que um metalúrgico que não tem diploma universitário é capaz de fazer mais do que eles." Lula disse que, ao terminar o mandato, não vai estudar em Paris ou nos Estados Unidos. "Vou voltar para minha gente, que são vocês, que me ajudaram a chegar onde cheguei."Getúlio Vargas, cuja morte completou 53 anos ontem, foi aclamado por Lula como o "mais importante presidente que este país já teve", por ter criado, entre outras, a Companhia Siderúrgica Nacional e a Petrobrás. "Tinha compromisso com o Brasil. Por pressão, foi levado a dar um tiro no coração."Lula não foi hostilizado em nenhum momento. Antes do ato oficial - que reuniu cerca de 4 mil pessoas, segundo a Prefeitura de Piraquara, em um ginásio de esportes -, ele vistoriou algumas obras de saneamento e cumprimentou os populares. No evento oficial, o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), repetiu as críticas à imprensa. "Como o governador, o presidente tem sido alvo dos poderosos, da mídia deletéria", afirmou. Logo depois, Lula disse que é menos "nervoso" que Requião e que aprendeu a ter paciência. "Eu não brigo com a imprensa, eles brigam comigo. Eu não brigo com eles, até porque acho que a liberdade de imprensa é um bem incomensurável para a democracia."

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