Lula viu mudança na articulação com alívio

BASTIDORES: Vera Rosa

O Estado de S.Paulo

09 Abril 2015 | 02h03

Depois de mais de um mês cobrando a mudança na articulação política do governo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a presidente Dilma Rousseff "acertou" ao convidar na última hora o vice Michel Temer para assumir a tarefa. Em conversas reservadas, Lula avaliou que, se Dilma tivesse posto o PMDB na Secretaria de Relações Institucionais há mais tempo, "a crise não chegaria a essa proporção".

Embora Lula tenha aconselhado Dilma a "contratar" o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB), para a articulação política, o resultado final da operação que resultou na entrada de Temer no "núcleo duro" foi visto pelo petista com alívio. Quando Padilha recusou o convite, Lula não escondeu o receio de outra "barbeiragem" à vista.

No PMDB, a escolha de Temer divide o partido. Mesmo com discursos públicos de que "agora vai", os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, disseram nos bastidores que farão tudo para manter a "independência do PMDB". A estratégia de Cunha e Renan é desviar o foco da Operação Lava Jato e criar uma agenda própria, em outro diapasão do caminho governista. Para eles, que tiveram os nomes incluídos na lista de políticos a serem investigados, Temer no "núcleo duro" leva a crise política para dentro do partido.

Em nova tentativa de obter apoio do PMDB, Dilma está disposta a convidar o ex-presidente da Câmara Henrique Alves para o Turismo. Alves é homem da confiança de Cunha. Vinícius Lages, atual titular da pasta, é afilhado de Renan. Até agora, o presidente do Senado resistia à mudança, mas, nos últimos dias, deu sinais de que não vai mais se opor.

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