Lula visita Cuba, mas falta confirmar encontro com Fidel

Em sua primeira viagem internacional deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende visitar na terça-feira o presidente de Cuba, Fidel Castro, mas até hoje o Palácio do Planalto não havia obtido a confirmação do governo cubano sobre a possibilidade do encontro. Fidel está afastado do poder há um ano e meio por motivos de saúde e o local de sua internação é mantido em sigilo. Desde que transferiu o cargo provisoriamente para seu irmão Raúl Castro, Fidel já recebeu visitas de várias autoridades, entre as quais o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. "O presidente Lula tem a intenção de se encontrar com Fidel Castro, de quem é amigo pessoal, mas nós sempre dependemos da opinião dos médicos quanto ao melhor momento da visita", afirmou o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach. "Trata-se de uma questão que escapa da política", completou o assessor de Relações Internacionais, Marco Aurélio Garcia. Lula chegará a Havana na segunda-feira à noite, depois de uma parada na Guatemala, onde participará da solenidade de posse do presidente Álvaro Colón Caballeros.O Brasil assinará vários acordos com Cuba. O que mais chama a atenção, até agora, trata de uma parceria entre a Petrobras e o governo cubano para prospecção de petróleo. Desde 2003, a Venezuela de Chávez fornece petróleo subsidiado a Cuba em troca de serviços médicos cubanos. Mesmo depois de seu afastamento, Fidel já fez várias críticas à política de biocombustíveis do governo Lula, sob o argumento de que o apoio ao etanol prejudica a produção de alimentos no mundo. "O Brasil busca incrementar a exportação de alimentos para Cuba, que já apresenta números expressivos", observou Baumbach. "No que tange ao setor de energia, saliente-se que Cuba tem aumentado sua produção petrolífera e já extrai 60% do petróleo que utiliza. Nesse particular, existe campo fértil para parcerias com a Petrobras e para a conclusão de um acordo de cooperação." A visita de Lula a Cuba estava prevista para novembro, mas foi adiada porque o presidente queria anunciar um pacote de acordos e o aumento das linhas de crédito para a ilha de Fidel. Constam da agenda bilateral, ainda, conversas sobre a construção de uma fábrica de lubrificantes e convênios para a produção de medicamentos e vacinas.

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