Lula vira cabo eleitoral de Chávez nesta segunda-feira

A apenas 19 dias das eleições presidenciais na Venezuela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai figurar nesta segunda-feira como cabo eleitoral de seu companheiro Hugo Chávez, presidente do país vizinho há sete anos que pleiteia novo mandato de mais seis anos. A rigor, trata-se de uma espécie de retribuição de Lula ao silêncio mantido por Chávez durante a campanha eleitoral brasileira. Se eleito em 3 de dezembro, Chávez fará ?companhia? a Lula até 2010, quando se encerrará o mandato do presidente brasileiro. Lula e Chávez vão inaugurar nesta manhã a Orinoquia, segunda ponte sobre o Rio Orinoco, feita pela construtora brasileira Odebrecht com créditos do Programa de Financiamento às Exportações (Proex). São aguardadas 30 mil pessoas para a cerimônia. Horas depois, vão certificar as reservas de Carabobo 1, um dos blocos petrolíferos da região do Orinoco que será explorado pela Petrobrás, em parceria com a Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA). Lula desembarcou às 22 horas do domingo (meia-noite em Brasília) em Puerto Órdaz e deve passar 20 horas em território venezuelano. Às 18 horas desta segunda-feira (20 horas em Brasília), deverá retornar ao Brasil. A presença de Lula na Venezuela neste momento de campanha tenderá a beneficiar Chávez especialmente entre a fatia do eleitorado mais esclarecida e avessa a sua continuação no poder. São eleitores que vêem no brasileiro um líder mais ponderado de esquerda, mais flexível aos conceitos neoliberais e mais respeitoso às instituições democráticas. A agenda de Lula na Venezuela, vai se somar a uma série de atos de Chávez que mesclam sua ação como presidente e candidato.Menos regrada que no Brasil, a campanha eleitoral venezuelana não impede inaugurações no período anterior à votação. E Chávez aproveita toda oportunidade para ampliar sua margem em relação a seu mais forte opositor, o empresário Manuel Rosales, ex-governador do Estado de Zulia. No sábado, o atual presidente do país foi até a Base Aérea de La Carlota para receber a cantora colombiana Shakira, que era esperada por fãs. Mais tarde, na inauguração do Campo Industrial no Complexo Petrolífero El Tablazo, destacou que sua campanha é ?contra o império?, numa referência aos Estados Unidos, e atacou Rosales, ao chamá-lo de ?majunche? - expressão depreciativa, com significado similar ao de ?cafajeste?. ?Eu me sinto no caminho de Cristo. Ele era socialista. Aceito as críticas a isso. Falo como Fidel Castro: a história me absolverá?, afirmou aos eleitores. Apesar das suspeitas de manipulação de resultados, as pesquisas eleitorais realizadas na Venezuela apontam a vitória de Chávez. Sondagem feita pela empresa americana Evans/McDonough com 2 mil pessoas, entre 26 de outubro e 3 de novembro, indicou a vantagem de Chávez, com 57% das intenções de voto, contra 35% para Rosales. Questionados sobre a primeira idéia que lhes surgia quando ouviam o nome de Chávez, 27% dos entrevistados afirmaram que era ?o melhor presidente?, enquanto 17% asseguraram que era ?ditador?. Outra pesquisa, realizada pela Zogbi Internacional com apoio da Universidade de Miami, entre 1º e 16 de outubro, mostrava o presidente com 59% das intenções de voto, enquanto Rosales estava com 24%. Nessa pesquisa, foi questionada a opinião dos eleitores sobre a iniciativa de Chávez de chamar o presidente americano, George W. Bush, de ?diabo? em seu discurso na Assembléia-Geral das Nações Unidas, em setembro passado. Dos entrevistados, 36% afirmaram ter sentido ?orgulho? de Chávez, mas 23% disseram-se ?envergonhados?.

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