Lula vê ''picaretas'' na oposição

Em discurso, ele pede a jovens que não desanimem da política

Angela Lacerda, IPANGUAÇU, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem o comportamento dos políticos de oposição ao governo. "A oposição, quando não tem argumento para fazer oposição, é pior do que doença que não tem cura. Fica inventando", disse em discurso para estudantes, na inauguração de uma escola técnica em Ipanguaçu, a 215 quilômetros de Natal.Lula citou um antigo ditado árabe para comparar sua atitude diante dos ataques da oposição. "Enquanto os cães ladram, a caravana passa. E eu tenho de governar este país." Ele contou ter sido criticado pela oposição, por exemplo, ao inaugurar uma universidade em Mossoró (RN). "A oposição dizia que eu estava inaugurando um muro", disse. "Agora eles têm de ir ver o que o muro está produzindo."Sem se referir especificamente aos escândalos no Senado, o presidente aproveitou a plateia de jovens para pedir que não desanimem da política brasileira. "Quando estiver desanimado da política, aquele dia em que estiver lendo jornal e falar ?não quero mais saber dessa porcaria?, pense: por que você não entra na política?", aconselhou Lula. "Quanto mais as pessoas sérias se afastarem da política, mais picaretas vão entrar nela."Lula defendeu a aprovação da proposta de reforma política que tramita no Congresso. "Sem reforma a gente não melhora a política brasileira."FAMÍLIASEle criticou os Estados governados pelas mesmas famílias por "décadas e décadas" e citou como exemplo Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba. Mas poupou o Maranhão, dominado pela família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB). Ao pregar que não se deve fazer prejulgamentos, pediu responsabilidade. E não excluiu os políticos. "Nós políticos também, no microfone, em campanha, a gente achincalha, acusa, sem prova, pelo que ouviu falar", observou. "Isso rebaixa o nível da política, enoja e muita gente então se afasta." Argumentou ainda que não existe o "político dos sonhos".

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