Marcio Fernandes/AE - 27.05.2011
Marcio Fernandes/AE - 27.05.2011

Lula vê governo ‘ingênuo’ e avisa que ‘Kassab é Serra’

Ex-presidente acredita que tucano está por trás do ‘vazamento’ de dados da empresa de consultoria do ministro da Casa Civil

Vera Rosa, de O Estado de S. Paulo

28 de maio de 2011 | 17h22

BRASÍLIA - Em conversas mantidas com ministros, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governo foi "ingênuo" ao acreditar no prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (ex-DEM). Ao ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, Kassab prometeu apurar se houve vazamento de dados fiscais da empresa de consultoria Projeto pela Secretaria de Finanças. Palocci é o dono da Projeto.

 

"Esse Kassab é Serra. Não se iludam!", afirmou Lula, numa referência ao ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB). O prefeito deixou o DEM e fundou o PSD, que nasceu com a bênção do Palácio do Planalto. No governo de Dilma Rousseff, Kassab é visto como potencial novo aliado.

 

Foi com essa avaliação que Palocci, acusado de multiplicar o próprio patrimônio em 20 vezes nos últimos quatro anos, telefonou para o prefeito e pediu a ele averiguação sobre possível vazamento dos dados da Projeto. Kassab disse que mandaria investigar o caso, mas, de acordo com auxiliares de Dilma, a promessa não foi adiante.

 

Lula acredita que Serra está por trás do que chama de "vazamento". No Planalto, petistas lembram que Mauro Ricardo Costa, secretário de Finanças da Prefeitura, é aliado de Serra. Quando o tucano era governador, Costa foi secretário da Fazenda.

 

"É preciso verificar o que há de quebra de sigilo nesse episódio e onde está o cerne da luta política. É isso o que queremos enfrentar", insistiu o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

 

Serra nem tomou conhecimento das suspeitas. Antes do contra-ataque, o ex-governador - que perdeu a eleição para Dilma - disse achar normal um político ganhar dinheiro fora do governo.

 

Em nota, a Secretaria de Finanças explicou que os acessos às informações da Projeto foram feitos pela própria empresa ou por servidores que realizaram "procedimentos demandados pelo próprio contribuinte", como recolhimento de tributos e retificação de lançamentos fiscais.

 

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a Projeto faturou R$ 20 milhões em 2010, quando Palocci coordenou a campanha de Dilma, sendo metade dessa cifra entre novembro e dezembro, após a eleição. No governo, comenta-se que várias notas fiscais de serviços prestados pela empresa foram canceladas e, portanto, o faturamento teria sido menor.

 

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