Lula vai visitar bairro carente em Londres

Entre os encontros e as cerimônias oficiais que dominarão a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua passagem por Londres esta semana, um compromisso promete ser diferente: uma visita ao bairro de Newham, considerado uma das regiões mais pobres da capital britânica. As diferenças começam pela localização. Enquanto todos os encontros formais se concentram em prédios bonitos e históricos no coração da cidade, Newham fica há cerca de 10 quilômetros do centro e deixa claro que Londres não abriga apenas atrações turísticas como o Palácio de Buckingham e a Abadia de Westminster.O bairro é o quarto na lista das áreas mais carentes de Londres e grande parte de sua população - composta, principalmente, por minorias étnicas - vive em prédios de propriedade do governo ou alugam ?vagas? em casas.A brasileira Dina Ferreira Melo, que já passou pela experiência de aluguel de vagas, explica: ?As áreas comuns da casa eram o banheiro e a cozinha, pois não tinha sala. E o quarto eu dividia com outras quatro pessoas. Então, a gente pagava pela vaga na casa.?Na casa de Dina moravam oito pessoas. ?A maioria dos brasileiros que moram aqui em Newham vive assim?, conta.Prédios modernosA visita ao bairro carente, no entanto, não está direcionada às condições de moradia e de vida da população de Newham, e sim a uma iniciativa do gabinete do vice-primeiro-ministro britânico de revitalizar a área com a ajuda da comunidade local.Dois prédios novos e modernos inaugurados na região nos últimos 18 meses foram equipados com áreas e serviços pedidos pela população de Newham.Um deles, chamado The Hub (O Centro), conta com creche, pediatras, médicos, farmácia, uma lanchonete com alimentos saudáveis, internet gratuita, um salão onde são realizados bingos, casamentos, aulas de ginástica, e um centro da polícia metropolitana.?A presença da polícia metropolitana no prédio melhorou as relações dos policiais com os moradores, já que aqui eles podem sentar para tomar um café e conversar sobre os problemas do bairro?, explica Anne Rooney, relações-públicas do projeto New Deal for Communities, que coordenou a construção do prédio.Segundo ela, a embaixada brasileira expressou a vontade do presidente Lula de conhecer melhor a iniciativa de fornecer alimentos mais baratos para a população carente.Chamada Community Food Enterprise, a cooperativa é totalmente administrada por moradores da região e fornece alimentos mais baratos, treinamento e aulas de culinária - tudo privilegiando produtos saudáveis, como frutas, verduras e legumes.Uma das iniciativas da cooperativa tem o objetivo de alterar o hábito alimentar das crianças nas escolas, por meio do fornecimento de merendas mais balanceadas e saudáveis, já que nos últimos anos a obesidade da população virou preocupação nacional.ClandestinoNewham também é o terceiro bairro com a maior taxa de desemprego: 11,7% de seus habitantes não trabalham, enquanto que em Londres 7,5% da população não tem emprego.?Não é fácil para as pessoas aqui conseguirem emprego, pois muitos vivem no país de forma clandestina?, explica a angolana Alda Vieira, coordenadora do projeto Girassol, que fornece apoio a mulheres e crianças africanas que falam português.?Também é difícil ajudá-las (as pessoas que chegaram de forma ilegal). Como somos uma organização não-governamental, não podemos indicar lugares que contratam pessoas que estão no país ilegalmente?, explica Alda.Nestes casos, a ajuda é velada. Segundo ela, a ONG acaba passando informações de pessoas que chegaram ao país na mesma situação e conseguiram emprego.?Nós também recebemos reclamações, principalmente de mulheres brasileiras que sofrem assédio sexual por parte dos patrões e não podem abandonar seus empregos por medo de não conseguir outro?, disse Alda.

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