Lula vai ter que tomar muita vitamina para ganhar a eleição, diz FHC

O ex-presidente Fernando Henrique avaliou nesta quinta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem até possibilidades de vitória, caso decida tentar a reeleição. "Mas vai ter que tomar muita vitamina", disse. "O maior problema não está na economia, mas na questão política e moral do atual governo." As declarações de Fernando Henrique foram dadas, em Oxford, antes de proferir palestra na universidade inglesa.Fernando Henrique negou que tenha declarado apoio à pré-candidatura do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), à presidência da República, como afirmou reportagem do jornal Folha de S.Paulo. O ex-presidente disse que o PSDB "tem dois bons candidatos", citando o prefeito Serra e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que já declarou oficialmente sua pré-candidatura. No muroEm relação à disputa interna em seu partido, entre o governador de São Paulo Geraldo Alckmin e o prefeito Serra o ex-presidente deu uma sugestão. "Os candidatos vão ter que se entender neste processo e chegar à conclusão daquele que será o candidato à presidência"Para o ex-presidente, é um engano imaginar que ele ou o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, ou qualquer outra pessoa tem o poder de decidir quem será o candidato do PSDB. "Isto não seria democrático", disse. "Entendo um certo nervosismo sobre o tema. Mas o povo não está nem aí. As eleições ainda estão muito longe. O povo está preocupado com o seu salário e os problemas diários."O ex-presidente acha que o PSDB não deve ter pressa para escolher o seu candidato. "A pressa é inimiga da perfeição". Porém, afirmou que se o processo de escolha do candidato fosse mais rápido, seria melhor. "Mas isso não deve ser uma prioridade. Se for possível uma escolha até março, como é o previsto, seria o ideal", explicou. "O que não podemos é fazer uma escolha pobre", emendou.Segundo Fernando Henrique, cabe somente a Serra decidir se deve abandonar a prefeitura paulistana para disputar a presidência da República. Perguntado se poderia ser candidato ao governo de São Paulo ou à Prefeitura, FHC reagiu: "Só faltava esta. Desde que deixei a presidência, já havia dito que não seria candidato a nada."ReeleiçãoO ex-presidente ressaltou também que desde a última Constituinte sempre foi favorável à reeleição do presidente da República. "O presidente Lula acabou de demonstrar que quatro anos não dá para nada", disse. Ele observou, no entanto, que os defensores do fim da reeleição, com mandato de cinco anos, têm o direito de realizar um debate sobre o tema. FHC disse que apesar de o atual mandato (de quatro anos) não ser suficiente, o presidente que está fazendo um bom trabalho tem chances de ser reeleito e prosseguir suas ações. "Mas aqueles que não fazem um bom trabalho não são reeleitos", considerou.Na sua avaliação, independente de quem for eleito presidente nas eleições de outubro, o risco-Brasil deve continuar caindo ainda mais. "Vamos chegar ao grau de investimento (investment grade), independente de quem for eleito", disse, acrescentando que o Brasil atingiu uma maturidade na parte econômica e das instituições, iniciadas em sua gestão. Ele evitou comentar a decisão do Copom que reduziu a taxa de juros de 18% para 17,25%. "Este é um assunto técnico," disse. Depois de proferir palestra em Oxford, Fernando Henrique segue amanhã para Madri, na Espanha, e depois para Genebra, na Suíça.

Agencia Estado,

19 de janeiro de 2006 | 15h51

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.