Lula vai jantar com 150 peemedebistas na quarta

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai jantar com 150 peemedebistas, entre governadores, ministros e parlamentares, na próxima quarta-feira. A primeira reunião formal com o maior partido da coalizão foi marcada nesta quinta-feira, menos de 24 horas depois de o presidente ter dito em um jantar com senadores petistas que não quer ficar refém do PMDB no governo. Quem levou o convite ao Planalto foi o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que será o anfitrião do encontro. Antes mesmo de o presidente Lula confirmar sua presença, Renan já havia acertado com o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), que ele recepcionaria os convidados, mas todas as despesas do jantar seriam pagas pelo partido. Porém, a conta mais cara, dos custos da parceria com os peemedebistas, vem sendo cobrada do Tesouro a conta-gotas, não só na negociação dos cinco ministérios do PMDB, já finalizada, como dos cargos do segundo escalão federal, ainda em curso. Além dos cinco ministros (das Minas e Energia, Integração Nacional, Agricultura, Saúde e Comunicações), a lista de convidados inclui os sete governadores do partido (RJ, ES, PR, SC, TO, AM e MS), os 27 presidentes dos diretórios estaduais, a bancada do PMDB na Câmara, com 93 deputados, e os 20 senadores. Atração principalTodos, inclusive aqueles que se declararam de oposição, como o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), ou independentes, como o senador Mão Santa (DF), estão recebendo convites, por escrito, dando conta de que a atração principal do jantar será o presidente Lula. "Não tem nenhum incêndio para a gente apagar no PMDB do Senado, mas a convivência do presidente com a base é importante e sempre facilita muito", atesta o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "Para usar as metáforas futebolísticas, de que o presidente tanto gosta, eu diria que Lula é um artilheiro que tem que estar no jogo político porque, quando ele entra em campo, faz gol", disse o líder. De fato, no que se refere aos senadores do PMDB o maior desafio do governo já foi vencido: o de acalmar o presidente da Casa, depois da derrota de Renan nas disputas pela presidência da Câmara e do próprio partido. Os dois episódios desgastaram a relação de Renan com o presidente Lula, a ponto de o senador ter anunciado há cerca de 20 dias que submeteria a voto já na próxima semana ao menos parte dos vetos presidenciais a projetos a provados pelo Congresso. De lá para cá, Lula chamou Renan ao Planalto meia dúzia de vezes e o resultado é que o clima de boa vontade foi restaurado. No que se refere ao veto do presidente à Emenda 3, que não permitia a perseguição dos fiscais da Receita às empresas jurídicas com um único profissional, por exemplo, Renan mudou claramente o discurso e, em vez da defesa da votação já, anunciou que primeiro irá "esgotar" a via da negociação. Traduzindo: enquanto interessar, Renan não deixa derrubar o veto.NegociaçãoNa conversa que teve, Renan deixou claro ao presidente que a segunda fase da montagem da coalizão, que inclui a partilha dos postos de segundo escalão entre os aliados, vai demandar muito mais conversa. O que mais preocupa os peemedebistas hoje é a arbitragem dos conflitos. Informados de que os ministros petistas da Casa Civil, Dilma Roussef, e da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, "ajudariam" o governo no preenchimento destes cargos em todo o Brasil, dirigentes do PMDB não escondem o temor de que o PT seja beneficiado nas disputas de espaço com os aliados. A prioridade da cúpula do PMDB nesta negociação é tentar reaver espaços que já estavam com o partido, especialmente no setor elétrico onde a ministra Dilma mantém grande influência, e por razões eleitorais ou mesmo administrativas acabaram ocupados pelo PT. Vários apadrinhados de petistas chegaram ao comando de alguns postos em caráter temporário ou de interinidade, mas agora se movimentam para serem efetivados. Foi assim que o PT chegou à presidência de Furnas no ano passado, cargo que o PMDB tenta retomar de olho especialmente no R$ 1,2 bilhão que a empresa reserva para investimentos em 2007. Este é o cargo que mais preocupa a cúpula do partido, não só pelas cifras que administra como pelo peso político do segmento peemedebista que entrou na disputa. Quem pleiteia o posto é a maior bancada estadual do PMDB - a do Rio de Janeiro, que indicou o ex-prefeito Luiz Paulo Conde para presidir a empresa, com o aval do governador Sérgio Cabral (PMDB).A mesma situação se repete com a Eletrobrás, que passou a ser dirigida pelo PT no ano passado, depois que o ex-deputado Aloysio Vasconcellos, do PMDB mineiro, deixou o posto que assumira com a benção de Renan Calheiros. Também é objeto de desejo e preocupação a presidência da BR Distribuidora, com um orçamento de quase R$ 800 milhões este ano. Temer e o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), gostariam de entregar o posto, hoje ocupado por uma petista, ao ex-deputado Moreira Franco. O PT já admite desalojar sua apadrinhada Graça Fortes da direção da empresa, mas desde que ela seja transferida para outro cargo de comando que também envolve disputa com o PMDB: a diretoria de Exploração e produção da Petrobrás, estatal que reserva nada menos que R$ 28,2 bilhões para investimentos em 2007.

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