Uarlen Valério/AFP
Uarlen Valério/AFP

Lula vai a Brasília para se encontrar com Dilma após onda de protestos

Ex-presidente se reúne com Dilma para avaliar impacto dos atos e estratégia para lidar contra eles

Ricardo Galhardo e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

16 de março de 2015 | 19h27

Atualizado às 19h43

São Paulo - Um dia depois dos protestos que reuniram milhões de pessoas contra o governo e o PT neste domingo, 15, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi para Brasília se encontrar com a presidente Dilma Rousseff para avaliar o impacto e as estratégias para lidar com as manifestações.

Lula se reuniu pela manhã com diretores do Instituto Lula e com o presidente nacional do PT, Rui Falcão, para um balanço preliminar dos protestos. Logo em seguida, Lula e Falcão embarcaram juntos rumo a Brasília para encontrar com a presidente Dilma. Depois de passar mais de dois meses sem conversar, entre o final do ano passado e o começo desse ano, é a terceira vez que Lula e Dilma se reúnem para discutir política em menos de um mês.


No primeiro encontro dos dois, realizado em fevereiro, o objetivo da conversa foi corrigir os rumos do governo, principalmente na relação política com o Congresso e com os partidos aliados e também para quebrar a imagem de isolamento criada neste início de segundo mandato. A preocupação com a articulação política continuou presente no encontro da presidente com os ministros de sua coordenação política nesta segunda-feira, 16.

Humildade. Mais cedo, a presidente se reuniu com sua coordenação política por cerca de três horas e a humildade foi a palavra repetida intensamente por Dilma e os ministros ao longo do dia, para tentar mostrar disposição de abrir diálogo e espaço para conversas para tentar restabelecer pontes com o Congresso e com a sociedade. A necessidade de o governo agir com humildade foi levantada na reunião pelo ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, que, durante a entrevista que concedeu no Planalto, após a reunião, usou a palavra por seis vezes. 

O objetivo fundamental do governo, ressaltado por todos na reunião é que é preciso, de forma incondicional, aprovar o ajuste fiscal. Este sinal é de fundamental importância para o governo, a sociedade e as agências de classificação de risco, para garantir que o País não tenha um novo baque econômico. O governo reconhece até mesmo que poderão ocorrer alterações nos projetos que foram encaminhados ao Congresso. "Precisamos aprovar o ajuste", reconheceu a presidente Dilma. 

E, para aprovar o ajuste no Congresso, segundo Braga, e com a concordância da presidente Dilma, na reunião, é preciso ter humildade para conversar, negociar, se entender com todos os partidos da base para tentar garantir a aprovação do ajuste. O governo está convencido de que "só sai da crise se aprovar o ajuste", disse um ministro que estava na reunião, justificando que, por isso mesmo, o governo tem de se acertar com o Congresso. 

Para dar mais um sinal ao Congresso, a presidente Dilma já mandou recados aos líderes do partidos da base aliada que vai se reunir com eles esta semana. Possivelmente na quarta-feira. Este novo encontro faz parte da estratégia de aproximação com o Congresso.

Na reunião, os ministros políticos todos insistiam que "o básico", "o fundamental" era resolver os problemas com a relação com o Congresso. Por isso, todos vão se empenhar com suas bases para tentar melhorar a relação com os parlamentares. 

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