Gabriela Bilo/Estadão
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Lula vai a Brasília discutir ajuste fiscal e reforma ministerial com Dilma

Nesta quarta-feira, Lula reuniu economistas ligados ao PT para avaliar o pacote econômico; segundo relatos, o ex-presidente mais ouviu do que falou durante a reunião

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

16 de setembro de 2015 | 21h36

São Paulo - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja nesta quinta-feira, 17, para Brasília onde vai se encontrar com a presidente Dilma Rousseff. Na pauta da reunião estão o pacote de ajuste fiscal anunciado nesta semana e a nova formatação do ministério de Dilma com cortes de pastas e mudanças de ministros.

Nesta quarta-feira, Lula reuniu economistas ligados ao PT para avaliar o pacote econômico. Segundo relatos, o ex-presidente mais ouviu do que falou durante a reunião. 

Pessoas próximas a Lula dizem que ele evitou comentar os pontos do pacote. Na semana passada, em viagem à Argentina, Lula criticou o arrocho fiscal. Embora tenha restrições ao pacote, do ponto de vista econômico, Lula considerou a iniciativa positiva sob o enfoque político. "A sociedade esperava que o governo tomasse uma atitude ousada. Desta vez não se pode acusar o governo de omissão", teria dito Lula.

Na conversa com Dilma, Lula, que soube os detalhes do pacote pela imprensa, será consultado sobre o novo formato do ministério de Dilma. A expectativa é que a presidente anuncie a nova configuração na terça-feira. 

Impeachment. Lula tem evitado associar a ameaça de impeachment de Dilma às medidas econômicas. Segundo interlocutores, o presidente avalia que a ameaça já foi menor do que é hoje mas que ainda não existem condições para o afastamento de Dilma. As principais delas são a falta de unidade na oposição e no PMDB e o fato de que nenhuma alternativa à Dilma se consolidou até agora. 

Lula avalia que o vice, Michel Temer, ganhou uma dimensão maior do que tinha no final do primeiro mandato de Dilma mas ainda não é visto como o "grande líder" que o Brasil precisa para sair da crise. 

Em conversas frequentes com representantes de movimentos sociais, Lula não os desestimula a fazerem críticas à política econômica nem a apresentarem suas demandas, mas diz que a ameaça de impeachment deve ser tratada de forma distinta por se tratar de uma "questão da democracia".

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