Lula troca crise política pela taça do Corinthians

Presidente recebe campeões da Copa do Brasil e passeia com atletas pelo Palácio do Alvorada

Leonencio Nossa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

03 de julho de 2009 | 00h00

Em meio às turbulências da crise no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na tarde de ontem, no Palácio da Alvorada, um grupo de jogadores e cartolas do Corinthians, que na noite anterior conquistara a Copa do Brasil ao empatar em 2 a 2 com o Internacional, em Porto Alegre. "Morram de inveja quem não é corintiano", disse Lula a cinegrafistas e fotógrafos. O presidente beijou e ergueu o troféu ao lado dos jogadores Ronaldo, Dentinho, Willian, Cristian, Jorge Henrique e o técnico Mano Menezes.Durante o encontro, Lula conversou em reservado com Ronaldo. A relação do presidente com o jogador já teve altos e baixos. Na Copa de 2006, Lula irritou o atacante ao avaliar que o craque estava acima do peso. Um assessor que participou do encontro relatou que o presidente perguntou se o jogador pretendia voltar a atuar na Europa. Ronaldo respondeu que seu ciclo no futebol estrangeiro "acabou". Depois, em tom de brincadeira, o presidente disse que Jorge Henrique parecia filho de Romário.Lula propôs, numa conversa com o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, um pacto para manter o elenco até 2010, quando o clube disputará a Taça Libertadores da América, direito conquistado com o título da Copa do Brasil. Lula contou que assistiu a parte do jogo do Corinthians com o Internacional na Base Aérea de Brasília, após viagem a Líbia. Em seguida, o presidente mostrou as dependências do Alvorada aos jogadores.Foi a segunda vez que o presidente recebeu uma delegação vitoriosa do Corinthians. Em 2005, Lula recepcionou o time que foi campeão brasileiro. TORCIDA Do lado de fora do palácio, cerca de 150 torcedores do clube que moram em Brasília e cidades próximas esperavam os jogadores. Os torcedores vaiaram e chamaram de "são-paulinos" os Dragões da Independência, soldados do Batalhão Presidencial que usavam roupas brancas e vermelhas e botas e cintos pretos. Muitos torcedores reclamaram do esquema de segurança, que contou com homens do Exército e da Polícia Militar do Distrito Federal. "A segurança está ótima demais, não consegui me aproximar", disse o analista de sistemas Rômulo Nascimento, 24 anos. Exaltada, a estudante de direito Tatiana Sarkis, 27, reclamou que os jogadores não foram "humildes". "Eles não deram nem um aceno do aeroporto até aqui", disse. "Faltou respeito e humildade", completou.Já a funcionária pública Monique Rocha, 24, disse que a delegação corintiana poderia mostrar o troféu para a torcida.Na saída do Alvorada, um grupo de torcedores cercou o carro da senadora corintiana Ideli Salvatti (PT-SC), que esteve no palácio para pegar um autógrafo de Ronaldo. "Ôôô, a Dilma é do timão", gritavam os torcedores, confundindo a parlamentar com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Antes, Ideli disse que a visita do grupo de jogadores compensava a semana de dificuldades da base aliada com a crise no Senado. "Agora deixe eu voltar para o inferno", afirmou.

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