Lula tratará com Sarkozy da reforma do Conselho de Segurança

Presidente dá prioridade a encontro com líder francês em detrimento a pedidos de Bush e Merkel

Denise Chrispim Marin, MANAUS, enviada especial

19 Setembro 2007 | 22h03

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratará da reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas com o presidente da França, Nicolás Sarkozi, no próximo dia 25, ao final da abertura da 62ª Sessão da Assembléia Geral da ONU. Solicitado pelo Palácio do Planalto, o encontro foi confirmado pelo porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, que não disfarçou a situação menos confortável de dois líderes que pediram uma reunião com Lula, mas ainda não conseguiram espaço em sua agenda. Tratam-se de George W. Bush, presidente dos Estados Unidos, e de Angela Merkel, chanceler da Alemanha. Os presidentes da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, e da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, tiveram melhor sorte estão com hora marcada com Lula na terça-feira. "O encontro com Angela Merkel já foi aceito pelo presidente Lula. Só falta acertar o horário e a oportunidade", informou Baumbach. "O presidente Bush tem os seus encontros, o presidente Lula tem os seus encontros. Então, está sendo visto como é que nós poderíamos fazer a conciliação dessas agendas", completou. O apoio integral da França ao ingresso do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança e o esvaziamento das agendas brasileiras com os Estados Unidos e com a Alemanha nos últimos meses explicam a prioridade de Lula nessa conversa com Sarkozi. A Indonésia será um dos países a serem visitados pelo presidente em 2008, na sua ofensiva diplomática à Ásia, e a Palestina está sempre no alto da agenda externa do governo brasileiro, que decidiu recentemente receber refugiados palestinos que viviam no Iraque. A reforma do Conselho deve tornar-se um assunto mais quente nessa 62ª Sessão da Assembléia Geral, que começa no dia 25 e termina em setembro de 2008. Para esse período, os países da ONU recomendaram, na última segunda-feira, o início de um processo de negociação sobre a reforma e ampliação do Conselho de Segurança. Tratou-se do resultado do esforço diplomático brasileiro, em especial. Daí o grande interesse de Lula em reforçar o apoio da França a seu pleito. O presidente deverá enfatizar essa questão em seu discurso de 15 minutos no plenário da Assembléia Geral, na manhã de terça-feira. Além de defender a "imperativa" participação de países em desenvolvimento no G-8, o grupo das sete economias mais ricas somado à Rússia, e no Conselho de Segurança, Lula desfiará a visão brasileira sobre a mudança do clima e acentuará a alternativa dos biocombustiveis. Entretanto, em um tom mais baixo que o apresentado anteontem, em um discurso em Brasília. Lula embarcará no domingo para Nova York, onde está a sede da ONU. Na segunda-feira, participará de um jantar oferecido pelo secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon, aos 13 líderes presentes, entre os quais Bush e Merkel. No dia 25, será recebido em audiência por Ban Ki-moon e, em seguida, lhe entregará o livro comemorativo dos 50 anos da instalação dos painéis Guerra e Paz, do artista brasileiro Candido Portinari, na seda da ONU.

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