Lula terá encontro com Evo para discutir 'questões pendentes'

Garcia não quis revelar se o Brasil irá apresentar uma nova proposta de investimento da Petrobras na Bolívia

BBC Brasil

02 de outubro de 2007 | 09h54

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se encontrar com o presidente boliviano, Evo Morales, na fronteira, para discutir "questões pendentes" e "construir uma agenda positiva" entre os dois países. A informação foi confirmada pelo assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que disse que a agenda do encontro ainda está aberta e vai depender dos dois presidentes. "É para examinar o estado das relações e sobretudo a idéia de construir uma agenda positiva. Tem algumas questões que estão pendentes e é melhor trabalharmos no sentido de reexaminar (a relação bilateral)", afirmou, sobre o motivo do encontro. O assessor não quis dizer se o governo brasileiro levará alguma proposta de investimento novo da Petrobras, que há um ano assinou o novo contrato de parceria com o governo boliviano, mas desde então congelou os investimentos no país. "A agenda está em aberto. Não quero me antecipar, porque os dois presidentes é que vão examinar e decidir", afirmou.  O encontro ainda não tem data, e dependendo da disponibilidade dos dois presidentes pode acontecer ainda nas próximas duas semanas. No dia 14, o presidente Lula embarca para uma viagem de uma semana a cinco países africanos. Garcia disse que o Palácio do Planalto fará nos próximos dias contato com a chancelaria boliviana para acertar o encontro. "Eu tive a oportunidade de assuntar essa questão com o governo boliviano e eles acharam muito boa." Tensão  Apesar do apoio de Lula a Evo ainda durante a campanha, as relações entre os dois países ficaram tensas a partir de maio do ano passado, poucos meses após a posse, quando o Exército ocupou as refinarias da Petrobras, que depois foram vendidas ao governo boliviano num processo forçado de nacionalização. O último encontro dos dois presidentes aconteceu na Ilha Margarita, na Venezuela, em abril, durante a reunião de cúpula energética dos países da América do Sul. Na ocasião, o presidente Lula teria dito a Evo, num encontro reservado, que não mais toleraria decisões unilaterais que prejudicassem o Brasil. A última visita do boliviano ao Brasil foi em fevereiro, quando depois de horas de negociação os dois governos chegaram a um acordo para reajustar o preço do gás importado pelo Brasil. Com a indenização das refinarias da Petrobras, o reajuste do preço do gás importado pelo gasoduto e a renegociação dos contratos de exploração de gás com aumento dos impostos e royalties pagos pelas empresas estrangeiras, as relações foram pacificadas, mas a Petrobras não fez nenhum investimento novo no país neste período. Recentemente, Evo se juntou aos críticos do etanol, a principal bandeira do presidente Lula, e fez um discurso criticando o combustível na abertura da assembléia-geral da ONU.

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