Alex Silva|Estadão
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Lula tentou evitar convocação de lobista da Zelotes na CPI do Carf, diz Delcídio

O senador, segundo sua delação, prometeu a Lula 'mobilizar uma tropa' para resolver a questão da convocação do casal na comissão

Beatriz Bulla, Fábio Fabrini, Gustavo Aguiar, Eduardo Rodrigues e Adriano Ceolin, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2016 | 13h26

Brasília - Em delação premiada, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) afirmou que a CPI do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) é um tema que aflige o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já o teria procurado para tentar evitar a convocação de Mauro Marcondes e da esposa do lobista, Cristina Mautoni. O casal está preso preventivamente e é réu na Operação Zelotes, que investiga a compra de medidas provisórias durante os governos Lula e Dilma. Investigadores também apuram o pagamento de R$ 2,5 milhões feito pela consultoria de Marcondes à empresa de um dos filhos de Lula.

O senador, segundo sua delação, prometeu a Lula "mobilizar uma tropa" para resolver a questão da convocação do casal na CPI do Carf e reuniu-se com líderes da base do governo. Ele disse ainda que requerimentos de "alta periculosidade e sensíveis a Lula, a exemplo da convocação de seus filhos" foram derrubados na CPI do Carf em novembro, após mobilização articulada por ele com líderes da base.

Segundo Delcídio, Lula dizia estar muito preocupado com o casal. Em setembro de 2015, o ex-presidente pediu uma conversa privada em hangar no aeroporto de Brasília no qual ficou claro, segundo Delcídio, que Lula queria evitar a convocação do casal. "Que soube o depoente que Lula e Mauro Marcondes são próximos e amigos há bastante tempo, supondo que desde o tempo em que Lula era metalúrgico (...) Que Mauro Marcondes também atuou em edições de medidas provisórias voltadas a conceder benefícios para o setor automobilístico", consta no termo de depoimento do senador. O suposto pagamento de propinas a agentes públicos para viabilizar as medidas provisórias foi revelado pelo Estado em outubro.

Delcídio disse ainda que Erenice Guerra, nome próximo à presidente Dilma e ex-ministra da Casa Civil, "tinha a obrigação de atuar" a propósito da edição de medidas provisórias, em razão de sua função. Também era considerado um "requerimento grave" a convocação de Erenice para depor. Segundo Delcídio, a ex-ministra defende interesses privados em diversos órgãos públicos.

Após narrar a derrubada do depoimento de requerimentos sensíveis ao governo, Delcídio disse a procuradores da Lava Jato ter ciência de que não adotou uma "atitude republicana, mas mesmo assim atuou como líder do governo". Ele sugeriu em seu depoimento que o pedido de Lula "poderia parecer um pedido do próprio governo federal para a derrubada das convocações". Ele nega, no entanto, ter conversado com a presidente Dilma Rousseff a respeito, mas disse saber que "o resultado no âmbito da CPI do Carf agradou ao governo federal".

Defesa. Em nota, o Instituto Lula disse que não comenta "falatórios". Confira:

"O Instituto Lula não comenta falatórios. Quem quiser levantar suspeitas em relação ao ex-presidente Lula que faça diretamente e apresente provas, ou não merecerá resposta". 

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