Lula tentará segurar Bastos no Ministério até achar substituto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a seu ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que permanecesse no ministério até 31 de janeiro, mas terá de segurá-lo no posto por pelo menos mais 15 dias, porque não encontrou um substituto. O atual ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, já mandou recados claros ao chefe de que gostaria de ser transferido para a Justiça, mas não teve sucesso na articulação. Um assessor palaciano que acompanha o assunto diz que o presidente resiste à troca porque não considera Tarso o perfil político ideal para o cargo. O interlocutor presidencial está certo de que a sucessão na Justiça transformou-se, atualmente, em um dos nós da reforma ministerial. A cautela presidencial na escolha do substituto de Thomaz Bastos, que é reconhecido no Planalto e no Congresso como um homem do diálogo, tem razões concretas. Pesquisas internas dão conta de que a Justiça é um dos ministérios que apresentam maior índice de aprovação e mais: o próprio Lula avalia que ele cumpriu, discretamente, importante papel na articulação política, especialmente junto à oposição, e não vê em Tarso os mesmos atributos para cumprir esta tarefa.Embora Tarso tenha qualificação para participar da equipe ministerial e, no caso da Justiça, cumpra o requisito da formação jurídica necessária especialmente na relação com o Judiciário, a avaliação predominante no gabinete presidencial é de que ele não se revelou habilidoso no diálogo institucional com o Congresso. Não bastassem as críticas públicas da oposição, vários líderes aliados fizeram reparos à atuação de Tarso como articulador político. Advogado respeitado nacionalmente, que já prestou serviços diretamente ou por consultoria a parlamentares dos mais diversos partidos, o ministro da Justiça fez questão de cultivar boas relações com lideranças de expressão nacional no PFL e no PSDB, como o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o governador eleito de São Paulo, José Serra. Além da biografia, o ministro da Justiça teve a seu favor o fato de não ser filiado nem militante do PT. No caso Tarso Genro, pesa ainda, na avaliação de Lula o risco de um petista à frente do ministério tornar-se foco de problemas com a Polícia Federal. O interlocutor palaciano diz que o temor do presidente, neste caso, é de haver novas investigações da PF envolvendo filiados ou militantes do PT.Diante deste cenário, o mesmo informante acrescenta que volta a ser cogitado o nome do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence. Embora não tenha experiência na política partidária, Pertence é visto como um quadro político de valor, que sempre manteve boa relação com políticos da esquerda e que ganhou experiência na relação com os partidos, durante o período em que presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.