Lula tenta evitar racha por causa de 2010, dizem aliados

Base elogia resolução do PT que prevê construir candidatura com coalizão

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2004 | 00h00

Brasília - A decisão do PT de apresentar uma candidatura à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser construída dentro da coalizão governista foi vista por partidos da base aliada como um estratagema montado pelo próprio presidente. Na opinião destes aliados, Lula interveio para evitar que os petistas se engalfinhem, desde já, na disputa para saber quem será o candidato do PT em 2010."É uma demonstração de maturidade do PT a sinalização de que pode abrir mão da cabeça-de-chapa", disse o vice-líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). Ele não escondeu as pretensões do partido: "É claro que o PMDB gostaria de ser o cabeça-de-chapa, uma vez que é o maior partido aliado." Dirigentes do PMDB avaliam que com a estratégia de admitir um candidato de coalizão o PT quer, na prática, criar um "bom clima" com os aliados.Às turras com o PT, o PC do B, foi outro que comemorou a decisão. "O PT anunciar que abre mão de alguma coisa já é uma grande notícia. É um acontecimento alvissareiro", ironizou o ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo (PC do B-SP). "Acho legítima a pretensão do PT de ter candidato próprio, como acho dos demais também."Para o líder do PR na Câmara, Luciano Castro (RO), a construção de uma candidatura única tem de ser em torno de um nome forte e que una os aliados. Castro aproveitou para lançar os nomes do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, e do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (AM). "Formamos a base aliada. "Nós só ajudamos o atual governo para também poder ter oportunidade de governar no futuro", disse.No Congresso do PT, realizado no fim de semana, o partido aprovou resolução que abre caminho para a negociação com os partidos que hoje formam a coalizão de governo. O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que comandou o PT de 1995 a 2002, admitiu que o partido pode vir a ser vice. A decisão de amenizar o discurso sobre a candidatura própria em 2010 fez parte de uma estratégia montada pelo Planalto para evitar um racha na aliança com os partidos da base aliada.

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