Lula tenta convencer partido a aprovar reformas

Às vésperas de entregar ao Congresso as propostas de reforma previdenciária e tributária ao Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dá continuidade, hoje, à ofensiva do governo para convencer seu próprio partido - o PT - a aprová-las. Lula participa de almoço com a bancada de 92 deputados do partido na casa do presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha. Ontem à noite, em reunião que entrou pela madrugada, no auditório do Espaço Cultural da Câmara, o ministro José Dirceu (Casa Civil) conseguiu dos 23 vice-líderes o compromisso de que votarão a favor da reforma da Previdência. Lula levará com ele, ao almoço de hoje, os ministros Antonio Palocci (Fazenda), Ricardo Berzoini (Previdência) e José Dirceu (Casa Civil). Ontem à noite, Dirceu deixou claro aos vice-líderes que a instituição da cobrança da contribuição previdenciária dos servidores inativos é fundamental na reforma e que o PT não pode votar contra essa decisão do governo. "Nossos adversários têm razão quando exigem uma posição do PT", afirmou o ministro na reunião, segundo relato de deputados. Dirceu comentou que o PT, no lugar do PSDB, estaria fazendo a mesma cobrança de forma até mais dura.O governo está enfrentando resistências de setores radicais do partido, e ainda hoje a bancada de deputados se reúne de novo, às 15 horas, para tomar algumas providências, que, na prática, significarão o isolamento de parlamentares radicais. Uma das propostas é a de afastar o deputado Lindbergh Farias (RJ) da vice-liderança, como punição pelas declarações de que poderia apoiar ação na Justiça contra a campanha publicitária do governo em defesa da reforma da Previdência.RadicaisOutra decisão que poderá ser tomada na reunião da bancada petista às 15 horas de hoje será a de destituir a deputada Luciana Genro (RS), o deputado João Batista "Babá" (PA) e o próprio Lindberg Farias (RJ) da comissão especial da reforma da Previdência. O PT ocupa seis vagas nessa comissão, metade governista e metade da ala radical petista. O presidente do partido, José Genoíno (SP), defende a permanência de pelo menos um parlamentar da ala radical. "Se vocês não se entenderem, como fica a posição do governo no Congresso?", perguntou o ministro José Dirceu aos vice-líderes, na reunião que terminou na madrugada de hoje. Na conversa, o ministro ouviu também críticas sobre a falta de participação da bancada na elaboração da proposta de reforma da Previdência. A reunião foi realizada ao final de um dia de muito nervosismo na bancada. "Estou aqui como governo, não vim no melhor momento, mas vim para conversar como governo", declarou o ministro, deixando claro que os conflitos terão de ser resolvidos nas instâncias partidárias. Em relação ao deputado Lindbergh Faria, a expectativa é de que ele saia das funções de representação na bancada e se acomode. Mas, em relação à senadora Heloísa Helena, o PT vai agir com rigor. Na visão do presidente do partido, deputado José Genoíno, ela "ultrapassou os limites" ao sugerir ação na Justiça contra a campanha publicitária do governo pró-reforma. Isso irritou profundamente a direção partidária, que já começa a trabalhar com a hipótese de a senadora tomar a iniciativa de sair do PT.Medidas truculentasO presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá ouvir reclamações durante o almoço que terá com a bancada de 92 deputados do PT, previu o deputado Chico Alencar (RJ). Ele vai aproveitar o encontro com o presidente e fazer-lhe um apelo para que não permita que no partido sejam adotadas "medidas truculentas contra os petistas que querem o debate" da proposta de reforma da Previdência. "A bancada quer ser protagonista, quer discutir, apresentar propostas", dizia Alencar ontem, antes da reunião dos 23 vice-líderes com o ministro José Dirceu (Casa Civil). Segundo ele, o problema está no fato de que a bancada não teria sido ouvida durante a elaboração da proposta de reforma previdenciária do governo, "para tentar mudar aquilo de que discorda". "Queremos interferir para uma efetiva justiça social, é simples, democrático e saudável", afirma chico Alencar. Veja o índice de notícias sobre as reformas

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