Lula tenta conter efeitos da crise com viagem aos EUA

'Essa crise tem que terminar neste ano', afirmou o presidente, que pretende falar sobre crédito com Obama

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

13 de março de 2009 | 19h37

Preocupado que os efeitos colaterais da "marolinha" transbordem para a política e atrapalhem seus plano de eleger o sucessor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia no sábado, 14, uma viagem de três dias aos Estados Unidos, centro irradiador da crise econômica.

 

"Essa crise tem que terminar neste ano", disse o presidente, em entrevista, no Planalto, pouco antes de embarcar para Washington, ao comentar que, na conversa que terá com o presidente norte-americano, Barack Obama, vai pedir a que se discuta o restabelecimento do crédito internacional, que considera o principal problema hoje no mundo.

 

Ao falar da esperança da recuperação da economia norte-americana, Lula voltou a dizer que a hora é de se tomar decisões políticas e não técnicas e reiterou seu otimismo com os líderes políticos que vão participar da reunião do G-20, dia dois de abril, em Londres. E avisou: "não é hora de tagarelar, é hora de agir".

 

Lula não quis entrar em detalhes sobre a conversa que manterá com Obama, mas voltou a criticar o protecionismo defendido por países ricos e a pedir a conclusão da rodada de Doha. Para Lula, "os dirigentes estão compreendendo que agora não é a hora mais de técnicos, agora é a hora da política", acrescentando que é preciso que todos assumam suas responsabilidades por essa crise e encontrem uma saída para ela.

 

"Se a gente ficar esperando como o Japão esperou na década de 90, demorou dez anos para o Japão sair da crise. Nós não podemos esperar dez anos. Essa crise tem que terminar neste ano. Portanto, tem coisas que precisam ser feitas, urgente. Eu sei algumas coisas que precisam ser feitas", declarou o presidente, ao salientar que vai conversar com o Obama, mas que quer conversar também com os representantes da China, Japão, França, Inglaterra, entre outros para que todos encontrem um caminho para a solução da crise.

 

Mais uma vez, Lula pregou que "é preciso que os países ricos tomem conta de seus bancos". Para Lula, só com a regulação forte dos bancos haverá garantias de que o setor financeiro estará vinculado ao setor produtivo. Depois de lembrar que a crise começou nos Estados Unidos, Lula mostrou-se otimista de que eles logo irão se recuperar. "O que precisa fazer, isso sim, é que os países ricos precisam aprender a tomar conta dos seus bancos. Isso sim, tem que ser feito. Ter uma regulação forte para os bancos, para que a gente possa ter garantia de que o sistema financeiro mundial estará vinculado diretamente ao setor produtivo. Essa é uma coisa sagrada, que nós vamos ter que tomar decisão", alertou.

 

Após reiterar que "o Brasil é contra a volta do protecionismo", o presidente declarou que os países ricos que passaram séculos defendendo o livre comércio, "não é possível que agora, no primeiro calo que começa a doer, eles achem que tem que voltar o protecionismo".

 

De acordo com o presidente, hoje "o maior problema significa ausência de crédito no mundo, o dinheiro desapareceu. Então, o que eu quero conversar com o presidente Obama, de forma muito franca, é como fazer para restabelecer o crédito internacional", disse Lula, explicando que "não é o crédito do Estado para o Estado, é o crédito para quem quiser tomar dinheiro emprestado". E completou: "na verdade, é restabelecer a credibilidade na sociedade".

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