Lula sugere que absolvição não será ''''nenhum trauma''''

Para presidente, governo não será prejudicado seja qual for o veredicto do Senado no caso Renan

Vera Rosa, ESTOCOLMO, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2012 | 00h00

Na véspera do julgamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu ontem em defesa do aliado, amenizou os reflexos do veredicto sobre o Palácio do Planalto e disse que seu governo não será prejudicado pela decisão dos parlamentares "qualquer que seja ela". Embora nos bastidores o governo considere que Renan será obrigado a entregar o comando do Senado para salvar o mandato, Lula procurou jogar água na fogueira. Mais: sugeriu confiar na absolvição do peemedebista. "Eu não vejo nenhum problema, não faço disso nenhum trauma", afirmou o presidente, ao ser questionado sobre prejuízos para o governo com a eventual permanência de Renan no cargo. "O momento do Senado termina amanhã (hoje)", completou, como se ignorasse as outras denúncias que pesam sobre o parlamentar peemedebista, além da acusação de ter pago despesas pessoais com recursos de uma empreiteira. "Na hora em que isso terminar, tem uma pauta para o Senado votar e vamos continuar trabalhando."Lula fez as afirmações após participar da assinatura de acordo sobre desenvolvimento de biocombustíveis com o governo da Suécia. Ao lado do primeiro-ministro Fredrik Reinfeldt, o presidente foi questionado sobre os percalços para o governo, em votações de interesse do Planalto, caso Renan permaneça à frente do Senado. Levantou as mãos, olhou para cima e não escondeu o aborrecimento com a pergunta. "Quer dizer que se absolver Renan vai ter problema e se condenar não tem problema?", devolveu, diante da platéia formada por jornalistas brasileiros e suecos. "Eu não posso acreditar numa moeda de única face." Na prática, porém, o governo teme as conseqüências do julgamento de Renan sobre a votação da emenda que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a Desvinculação das Receitas Orçamentárias (DRU). O Planalto luta para esticar até 2011 a CPMF e a DRU, dispositivos que vencem em dezembro. Somente neste ano a arrecadação prevista com o chamado imposto do cheque é de R$ 40 bilhões.Em mais uma tentativa de não mexer no vespeiro do Congresso, Lula desconversou quando indagado se, para o Planalto, seria melhor Renan ficar ou sair. "Não tem essa de ?para o governo?", disse. "Para o governo, o melhor é que a decisão da instituição seja respeitada, qualquer que seja ela." Ao afirmar que o Senado é uma "instituição soberana", o presidente insinuou esperar a absolvição de Renan e em nenhum momento mencionou a possibilidade de cassação do aliado. "Nada impede que o Ministério Público abra processo e (o caso) vá para o Supremo Tribunal Federal", resumiu.

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