Lula sugere aliança para PT vencer PSDB em eleição de SP

'O PT precisa de um Zé Alencar como cara-metade', afirmou o presidente, numa referência ao vice-presidente

Vera Rosa e Beatriz Abreu de O Estado de S. Paulo,

21 de dezembro de 2009 | 15h34

Contrariado com os rumos da sucessão ao governo de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou um pito no PT. Em café da manhã com jornalistas, Lula disse que o PT tem de fazer alianças com os diferentes, se quiser ganhar as eleições do PSDB do governador José Serra. Os tucanos têm dois pré-candidatos no maior colégio eleitoral do País: os secretários Geraldo Alckmin (Desenvolvimento) e Aloizio Nunes Ferreira (Casa Civil).

 

"O PT precisa de um Zé Alencar como cara-metade", afirmou o presidente, numa referência ao vice-presidente da República. Dono da indústria têxtil Coteminas, uma das maiores do País, Alencar ajudou Lula a superar resistências e preconceitos no meio empresarial, na primeira campanha que levou a dupla ao Palácio do Planalto, em 2002. A dobradinha se repetiu na maratona pela reeleição, em 2006.

 

Lula disse que o PT sempre fez aliança "pela esquerda" em São Paulo e por isso não consegue passar dos 30% das intenções de voto. "É a soma do zero com o zero", criticou. "Somos nós com nós mesmos."

 

No diagnóstico do presidente, o PT "precisa entender" que um partido com 30% só ganhava eleição quando não havia segundo turno. "Foi assim que elegemos a Erundina, em 1988", argumentou, em alusão à ex-prefeita Luiza Erundina (1989-1992), que hoje é deputada pelo PSB.

 

Na prática, porém, o PT ainda está refém do deputado Ciro Gomes (PSB-SP) em São Paulo. A pedido de Lula, o partido não lançou nem mesmo pré-candidato à sucessão de Serra porque espera uma decisão de Ciro sobre seu destino político. O presidente quer que o PT desista da chapa própria no maior colégio eleitoral do País e apoie seu ex-ministro da Integração, hoje deputado do PSB. Com a estratégia, tiraria Ciro do caminho da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto.

 

Ciro, porém, resiste a esse projeto: diz que ou concorrerá à Presidência ou não disputará nada. Se o deputado não entrar no páreo, outros seis petistas se candidatam à vaga. O mais cotado, até agora, é o ex-ministro da Fazenda e deputado Antonio Palocci (PT-SP). O ministro da Educação, Fernando Haddad, também está de olho na cadeira de Serra.

 

Antes de dar conselhos ao PT, no café de ontem, Lula havia afirmado que não iria mexer no imbróglio paulista. "Tem muito cacique em São Paulo", brincou ele. Depois, não resistiu e considerou um grave erro o fato de o PT nunca ter repetido um candidato ao governo de São Paulo.

"Isso não é bom. O candidato começa com 5% e chega a 30%. Na outra eleição, muda o candidato e começa tudo de novo. Se 30% elegesse alguém, ninguém precisava de aliados. Se você precisa de 50% mais um, tem que procurar os outros 20%. A palavra é aliança política", insistiu o presidente.

 

Foi nesse momento que Lula se referiu à conveniência de agregar "um segmento novo" ao PT e falou na dobradinha com um empresário. "Precisamos discutir com os partidos e saber quem tem esses 20% complementares. Não sei se é partido, empresário ou personalidade", ressalvou.

 

Nas fileiras do PSB, o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaff, luta para obter a indicação do partido ao Palácio dos Bandeirantes. Mas também espera a decisão de Ciro. O PT admite a contragosto possibilidade de apoiar o deputado, mas torce o nariz para Skaff.

 

Lula disse que o PT tem de procurar uma dobradinha de peso. Afirmou, depois, que há grandes e pequenos empresários, além daqueles que não são nada, mas se acham empresários. "São os piores", resumiu, ao lembrar dos problemas enfrentados antes de se eleger pela primeira vez, em 2002.

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