Lula sugere a Ban Ki-Moon conselho para mediar crises internacionais

Presidente pede negociações sobre reforma do Conselho de Segurança da ONU.

Denize Bacoccina, BBC

12 de novembro de 2007 | 18h55

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu ao secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, a criação de um conselho consultivo para mediar crises internacionais, de preferência com a participação de países que não estejam envolvidos nessas crises.Lula se reuniu com Ban Ki-moon nesta segunda-feira, no Palácio Itamaraty, em Brasília. De acordo com um dos participantes do almoço, o presidente citou a crise entre Israel e palestinos, que poderia ser intermediada por países como Brasil, Índia e África do Sul.Na avaliação de Lula, os três países poderiam ajudar porque têm projeção internacional e não estão envolvidos nos conflitos no Oriente Médio. O presidente também citou os Estados Unidos como exemplo de país que está envolvido com os dois lados e, portanto, teria mais interesse.O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o secretário-geral da ONU, "anotou com atenção" a sugestão do presidente Lula. Segundo Amorim, não se trata de uma uma proposta formal para aumentar o protagonismo do Brasil, mas de uma tentativa de buscar "ar novo" para a solução de problemas antigos."Foi mencionada a insatisfação com o progresso no Oriente Médio", afirmou o ministro. "A nossa idéia não é o Brasil, necessariamente, mas países em desenvolvimento que possam contribuir e jogar um pouco de ar novo.""Às vezes, para chegar a uma solução, é preciso ter idéias novas e, para ter idéias novas, às vezes, é preciso ter interlocutores novos", acrescentou. "É isso o que o presidente enfatizou nesse contexto de discussões sobre as Nações Unidas."Amorim também contou que o presidente Lula pediu o início das negociações concretas sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU, já que são muitas as declarações em favor das reformas. "O que houve até hoje é, em grande parte, discurso", disse o ministro. "A mensagem do presidente Lula é que nós temos que passar por uma fase de negociação." Lula e Ban Ki-moon também conversaram sobre a política brasileira de biocombustíveis, muito elogiada pelo secretário-geral da ONU, segundo Amorim. De acordo com o ministro, o secretário-geral da ONU também destacou a liderança do Brasil na conferência de Bali sobre mudanças climáticas, em dezembro, quando será discutido um acordo que deve substituir o Protocolo de Kyoto, que tem metas até 2012."O caminho para Bali passa por Brasília", disse Ban Ki-moon, segundo o relato de Amorim.Ao ser cumprimentado pela descoberta do campo de petróleo na Bacia de Santos, Lula disse ao secretário-geral da ONU que o aumento das reservas brasileiras não mudará em nada a política do governo para o aumento da produção de biocombustíveis.A ONU não tem uma posição oficial sobre os biocombustíveis, e um relatório do relator especial das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, divulgado no mês passado, chegou a pedir uma moratória na produção de biocombustíveis.O documento de Ziegler dizia que é um "crime contra a humanidade converter terras para a agricultura em solo para produzir alimento a ser queimado como combustível". Na visita ao Brasil, Ban Ki-Moon elogiou a atuação do Brasil na área. No domingo, depois de visitar uma usina de etanol no interior de São Paulo, o secretário-geral da ONU disse que ficou "muito impressionado" com os esforços por parte do governo e de empresas brasileiras para atacar o problema do aquecimento global com o desenvolvimento de energia limpa e renovável."O Brasil é o gigante verde quieto", afirmou Ban Ki-Moon. "É líder mundial em energia renovável. Tem uma das economias mais limpas do mundo." De Brasília, o secretário-geral da ONU viajou para o Pará, onde teria ainda nesta segunda-feira uma reunião com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e participaria de um jantar oferecido pela governadora do Pará, Ana Júlia Carepa.Na terça-feira, Ban Ki-Moon visita comunidades extrativistas da região amazônica. O governo brasileiro quer mostrar ao secretário-geral da ONU os avanços no combate ao desmatamento e na promoção do manejo florestal na região amazônica.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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