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‘Lula só pode ajudar se presidente sair do gabinete’

Próximo do ex-presidente, prefeito defende tática semelhante à adotada após mensalão para governo contornar crise

Entrevista com

Luiz Marinho (PT), prefeito de São Bernardo do Campo

Elizabeth Lopes, O Estado de S. Paulo

10 de julho de 2015 | 05h05

São Paulo - Um dos mais próximos interlocutores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), cobrou uma ação mais ativa da presidente Dilma Rousseff para contornar a crise política. Em entrevista ao Broadcast Político, da Agência Estado, pediu que Dilma faça como Lula após o escândalo do mensalão: saia do gabinete e mostre obras do governo. “Este é o meu clamor, do presidente Lula e de todos os dirigentes do partido”, disse. “É preciso que a presidenta rode primeiro o País, para Lula rodar depois.”

Estado - Num momento de acirramento da crise, lideranças do PSDB preveem que Dilma não terminará o mandato. Isso preocupa o PT?

O que me preocupa é a economia. A presidenta vem fazendo sua parte, como na viagem aos EUA, o acordo com a China e as concessões. Mas precisamos de uma ação para as empresas envolvidas na Operação Lava Jato, porque há sinais de quebradeira das empresas. Agora, como o Aécio (Neves, senador e presidente do PSDB) pode dizer que Dilma não vai terminar o mandato? Ele não é juiz, não julgou e não tem provas de nada. Os que contribuíram para a campanha de Dilma contribuíram para a dele. Vão dizer que o dinheiro da Dilma é sujo e o dele é limpo, se a fonte é a mesma? É uma falácia.

Estado - E a popularidade de Dilma abaixo dos dois dígitos, preocupa?

Claro que sim, mas não nos causa pavor. O PT não vai acabar, é uma instituição forte. O governo sofre um momento passageiro de desgaste, mas vamos recuperar a credibilidade. Dilma vai iniciar uma agenda diferente da que vinha fazendo e passar a governar um pouco diferente. Este é o clamor meu, do presidente Lula e de todos os dirigentes do partido. E que ela passe a ser, como disse (ao jornal Folha de S.Paulo), uma espécie de caixeiro-viajante, mas não só fora do País. Que Dilma coloque o capacete de engenheiro, vá para a linha de frente e fiscalize as obras que está fazendo nas cidades.

Estado - O sr. acredita que desta vez ela vai atender a esse clamor?

Estou interpretando que as recentes declarações da presidenta são uma mudança. Precisamos iniciar já a nova fase. É Dilma quem deve liderar este processo. Se voltarmos ao primeiro mandato de Lula, veremos que em 2005 ele também sofreu uma tentativa de golpe da oposição, no auge do mensalão. E o que ele fez? Disse que, para derrotá-lo, deveriam trabalhar mais do que ele e saiu pelo País dizendo o que o governo estava fazendo. A Dilma precisa ter a mesma reação. Dilma trabalha muito, mas precisa sair do gabinete e rodar mais o País. Claro que o ajuste fiscal era necessário, mas ela precisa priorizar a fase de caixeiro-viajante agora.

Estado - E qual o papel de Lula?

É preciso que a presidenta Dilma rode primeiro o País, para Lula rodar depois. Ela precisa criar as condições para ele sair a campo também, para ele reproduzir o que ela está falando.

Estado - Qual sua avaliação sobre a Operação Lava Jato?

É uma opinião de leigo, apesar de eu ser bacharel (em Direito). Não estudei os processos, mas como cidadão vejo de forma espantosa como um juiz de primeira instância (Sérgio Moro) possa colocar de joelhos as instâncias superiores da forma como tem feito. Parece até encomenda e é preciso que as instâncias superiores assumam a responsabilidade por este processo. É um absurdo que delatores A, B ou C acusem alguém sob tortura. 

Estado - Tortura?

O que se ouve de bastidor é que está havendo tortura não só psicológica. E alguém falando nessas condições tem o direito de mentir. Sugiro que os senadores (da oposição que foram à Venezuela para tentar visitar os presos políticos do regime de Nicolás Maduro) façam uma comissão e, em vez de ir à Venezuela, vejam o que está acontecendo em Curitiba, que é muito mais perto.

Estado - O que acha das afirmações do dono da UTC, Ricardo Pessoa, de que a campanha do PT recebeu dinheiro desviado da Petrobrás?

Os recursos são legais, está tudo declarado no site no TSE. Se fosse dinheiro sujo, não estava declarado. Como bem disse a presidenta, não tem dinheiro sujo; se tem, que se prove. Agora, há réus corruptos e confessos nessa história que não são do PT.

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