Lula só discute Minas e Energia após negociação sobre CPMF

PMDB quer recuperar o quanto antes o comando do ministério, que perdeu com a demissão de Silas Rondeau

Leonencio Nossa, da Agência Estado,

28 de novembro de 2007 | 13h43

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou aos líderes do PMDB que só discute o nome do novo titular do Ministério de Minas e Energia após a negociação da CPMF, segundo fonte da Palácio do Planalto.  A pressão para que o presidente indique um peemedebista para o cargo é grande, disse a fonte. Lula, porém, ainda mantém o desejo de que o ex-ministro Silas Rondeau, afastado do cargo desde maio passado, ainda possa voltar a comandar a pasta. O cargo de ministro de Minas e Energia está sendo exercido interinamente por Nelson Hubner.  Em público, Lula tem dito que aguarda a conclusão do Ministério Público sobre as investigações sobre a operação a operação Navalha da Polícia Federal para tomar uma decisão sobre o Ministério de Minas e Energia.  Partido quer recuperar o quanto antes o comando do ministério, que perdeu no final de maio, com a demissão do ex-ministro Silas Rondeau. Diante do aviso de Lula, a cúpula peemedebista do Senado articula para acelerar a votação da CPMF e, assim, assumir o ministério no final de dezembro.  O sinal positivo do Planalto para que o nome do senador Edison Lobão (PMDB-MA) fosse trabalhado na bancada peemedebista, na base aliada e até na oposição foi dado ao próprio José Sarney (PMDB-AP) na semana passada.  Em conversa com o presidente Lula, o senador insistiu na necessidade de uma solução rápida para o caso das Minas e Energia e de o PMDB ter liberdade para indicar o novo ministro, até como forma pacificar a bancada peemedebista no Senado.  A cúpula do PMDB no Senado está satisfeita com a boa a aceitação do nome de Lobão dentro e fora do partido. Um importante interlocutor do presidente Lula conta que a indicação do senador maranhense para o ministério está sendo negociada com o Planalto desde que Lobão trocou o partido Democratas pelo PMDB, em 9 de outubro.   Como o DEM havia fechado questão contra a CPMF no PMDB Lobão poderia facilitar a vida do governo e aprovar a prorrogação do tributo, ao mesmo tempo em que ajudaria o partido a encurtar o caminho até o ministério de Minas e Energia.  Diante da possibilidade de o PT se eternizar como interino no comando do setor energético, o grupo Sarney, que indicara o ministro Rondeau, passou a contar com a solidariedade da bancada em sua movimentação para reaver o posto. Tanto é assim, que o líder Romero Jucá não hesitou em advertir o Planalto da cobrança crescente da bancada do PMDB para resolver o problema do ministério.  Nestes tempos de votação da CPMF, todo o cuidado é pouco. A preocupação dos peemedebistas aumentou muito depois que a Petrobras anunciou a descoberta da megajazida de petróleo na Bacia de Santos. A avaliação do partido foi de que a descoberta valorizou o cacife do Ministério de Minas e Energia e atiçou a cobiça pela cadeira de ministro.  A cúpula do PMDB está convencida de que o PT vai "dar trabalho" para abrir mão do ministério e, por isto mesmo, não tem dúvida de que a melhor hora para definir a questão é agora, quando estão em jogo os R$ 40 bilhões da CPMF.  (Com Christiane Samarco, do Estadão)

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