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'Lula será candidato em 2018', afirma Dilma a revista francesa

Entrevista para a L'Express foi feita em Brasília; presidente afastada se defende de acusações e volta a criticar o governo interino

Luciana Amaral, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2016 | 12h12

Em entrevista feita em Brasília para a revista francesa semanal L'Express, divulgada nesta quarta-feira, 29, Dilma Rousseff afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será candidato à Presidência nas eleições de 2018. A informação é, inclusive, uma das chamadas da capa da publicação.

"É a razão principal do golpe de Estado: prevenir que o Lula se apresente à Presidência. Hoje em dia, apesar de todas as tentativas de destruir a sua imagem, Lula continua entre as pessoas mais amadas. Eu posso te dizer que ele quer se apresentar na próxima eleição", disse a petista.

Questionada sobre como ela vê e espera a possível aprovação do processo de impeachment pelo plenário do Senado, em votação prevista para a segunda quinzena do mês de agosto, Dilma se disse profundamente injustiçada quanto à forma como "foi tirada do poder". Na entrevista, ela também disse que não cometeu crime de responsabilidade, mas que apenas aprovou quatro decretos para créditos suplementares a fim de financiar, principalmente, hospitais. 

"Não sou o primeiro presidente a agir assim. O Fernando Henrique Cardoso aprovou 23 decretos similares. Na verdade, [a acusação] é apenas um pretexto."

No decorrer da entrevista, Dilma voltou a defender o PT, a falar que não sabia do esquema de corrupção na Petrobrás e a criticar os grampos divulgados pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato. "Não importa o país do mundo, divulgar o registro de uma conversa do chefe de Estado seria um crime."

A presidente afastada ainda citou a queda de três ministros do presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), por suspeita de corrupção e frisou que o momento político no Brasil "é grave".

Violência no Rio. As seis páginas seguintes à entrevista com a presidente afastada são dedicadas à violência das favelas cariocas e a preparação do Brasil para a Olimpíada. Com o título de "As favelas, sangue de cima a baixo", em tradução livre, o texto fala de diversos casos problemáticos como o resgate ao traficante Fat Family no hospital Souza Aguiar, da Rocinha como "longe" de ser exemplar e do desaparecimento do Amarildo, até hoje não explicado.

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