Lula se reúne com ministério na Granja do Torto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou de helicóptero à Granja do Torto, para a reunião ministerial que será realizada nesta segunda-feira. Também já chegaram ao local os ministros da Casa Civil, José Dirceu; de Minas e Energia, Dilma Roussef; da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci; dos Transportes, Anderson Adauto; da Educação, Cristovam Buarque; e da Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva. Também já estão na Granja do Torto, os líderes do governo na Câmara, Aldo Rebelo, e no Senado, Aloizio Mercadante. O secretário de imprensa da Presidência da República, Ricardo Kotscho, informou que às 12 horas será divulgada uma nota sobre a reunião e às 16 horas haverá uma entrevista coletiva com o porta-voz André Singer. Cara mais social A reunião de hoje tem um objetivo bem definido: aliviar o aperto econômico e dar uma cara mais social à sua administração. Na semana em que o Conselho de Política Monetária (Copom) vai decidir sobre a taxa básica de juros, Lula cobrará a prestação de contas sobre o que cada ministro fez e verá onde é possível sair da asfixia do contingenciamento de verbas.Um exemplo é o programa Primeiro Emprego, que será apresentado formalmente hoje à equipe pelo ministro do Trabalho, Jaques Wagner, e terá recursos próprios no Plano Plurianual de Investimentos (PPA) - uma espécie de superorçamento para o período 2004 a 2007 (leia reportagem nesta página)."Com o PPA, o governo terá todas as condições para fazer deslanchar seus programas de obras sociais nas áreas de emprego, saneamento, saúde e educação", afirmou o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. A pedido de Lula, os ministros prepararam um relatório sobre onde é possível crescer mais, mesmo com a escassez de recursos. A tesourada que atingiu todas as pastas, em fevereiro, foi de R$ 14 bilhões. Mais: o presidente também vai solicitar "mais energia" da equipe para a aprovação das reformas tributária e da Previdência no Congresso. Está convencido de que, só depois dessa etapa, o Brasil poderá trilhar o caminho do crescimento sustentado.MicroeconomiaA partir de junho, Lula partirá para o que vem sendo batizado no Palácio do Planalto como "fase microeconômica" de seu governo. Serão lançadas medidas de impacto destinadas a beneficiar os pequenos. Na lista estão a concessão de empréstimos sem burocracia aos mais pobres, o incentivo às cooperativas e a liberação de recursos para a construção de casas populares."Nesses primeiros meses, conseguimos ter uma boa visão da estabilidade, com respeito internacional. Agora, é necessário o presidente determinar ajustes na ação política-administrativa para corresponder à nova fase do governo", afirmou o ministro da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social, Tarso Genro.As diretrizes do PPA, plano que deverá aterrissar no Congresso até 30 de agosto, serão expostas hoje pelo ministro do Planejamento, Guido Mantega, e pelo secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci. "Não é uma coisa para inglês ver", garantiu Dulci. "Os outros planos desse tipo eram voltados para a economia e infra-estrutura, mas agora queremos que o social tenha o mesmo peso."Nos próximos três meses, cada ministro deverá participar de audiências públicas nos Estados para debater o PPA. Lula tem reclamado a colaboradores que, apesar de seu esforço para promover programas sociais, como o Fome Zero, a mídia só dá destaque aos radicais do PT e à taxa de juros, que continua alta."Há mesmo uma incompreensão", argumentou o ministro da Educação, Cristovam Buarque. "Eu mesmo defendi mais recursos para o ensino a partir de 2004, e nos próximos 15 anos, e já disseram que estou correndo atrás de verbas. Se o dinheiro chegasse hoje, não daria para fazer tudo amanhã."Apesar da retórica cautelosa de Cristovam, todos os ministros querem que o cofre seja aberto. "O desempenho orçamentário do Brasil, sob o ponto de vista do Tesouro, está excepcionalmente bem administrado. Acima, aliás, da expectativa de arrecadação", disse o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes.Para Ciro, o cenário favorável dá margem ao que ele chama de "mobilidade" no Orçamento. Em outras palavras: mais dinheiro em caixa. "Todos nós queremos o crescimento e que os juros caiam e acho que agora está se dando a condição objetiva para isso", comentou Ciro. "Mas o timing desse processo depende do presidente da República", ressalvou Cristovam.Na prática, quase todos os ministros reclamam reservadamente da falta de recursos para tocar seus projetos, como fez, em público, o ministro da Cultura, Gilberto Gil. A queixa será levada mais uma vez ao presidente, que tende a "descontingenciar" parte da verba retida. Até agora, em 16 ministérios, menos de 1% do dinheiro previsto para investimento foi gasto até 10 de maio.

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