Lula se recusa a responder sobre Renan e critica pergunta do ''''Estado''''

Ao encerrar giro por países nórdicos, presidente afirma que o jornal não se interessou pela viagem

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2015 | 00h00

Com a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pairando como uma sombra sobre sua viagem aos países nórdicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recusou-se ontem a responder se o governo havia orientado a bancada do PT a inocentar o aliado. Ao lado do primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, Lula não escondeu a irritação com a pergunta, feita pela reportagem do Estado em nome de todos os jornalistas que acompanham a viagem, durante a conferência de imprensa."Eu só lamento que na minha despedida eu tenha que falar do Brasil. Seria tão mais fácil um jornalista do Estadão lá no Brasil ligar para o presidente do PT e receber todas as informações...", queixou-se o presidente, poucas horas antes de encerrar a visita de cinco dias à Finlândia, Suécia, Dinamarca e Noruega, numa referência ao deputado Ricardo Berzoini (SP).Na pergunta, o Estado também indagou se o governo pressionaria Renan a se licenciar do cargo e mencionou a ameaça da oposição de segurar votações, como a que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Assim que o nome de Renan foi citado, Lula mudou a fisionomia: adotou ar circunspecto, abriu os braços e balançou a cabeça, em sinal de contrariedade. "Quando eu chegar ao Brasil, na terça-feira, você me faça quantas perguntas quiser sobre o Renan, sobre o PT, que eu falarei com o maior carinho. Mas eu estou terminando uma viagem de uma semana, estou tão cansado quanto vocês e não é justo que esta viagem não tenha despertado nenhuma curiosidade no Estadão", encerrou. Não houve direito a réplica.Indagar a um presidente em viagem oficial sobre assuntos internos de seu país é praxe na imprensa internacional. Um exemplo ocorreu na visita do americano George W. Bush ao Brasil, em 9 de março. Em entrevista ao lado de Lula, no Hotel Hilton, em São Paulo, ele foi questionado por jornalistas americanos sobre um encontro que haveria no Iraque, com representantes do Irã e da Síria. Não só respondeu, como defendeu a posição americana para a "jovem democracia".GRILAGEMEm relação aos noruegueses, Lula não foi ríspido. Um repórter de Oslo perguntou sobre problemas na compra de terras no Brasil, mas ele não saiu do sério. "Tenho obtido informação de gente lá do Brasil que está vendendo terra da União, em conluio com cartórios, e isso não vamos permitir", disse. "A lei vale para o brasileiro e para o norueguês. Lei é lei e tem de ser respeitada."Lula também se esmerou nos comentários sobre etanol e afirmou não ter atrito com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, quando uma norueguesa quis saber como andava seu relacionamento com colegas de esquerda. Ao final da entrevista, quando já deixava a sede do governo, os jornalistas brasileiros ainda tentaram insistir na pergunta sobre Renan. "É importante, presidente!", gritaram. "Chega, chega, chega, chega", repetiu, saindo da sala.

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