Lula se prepara para embate eleitoral e escolhe Serra como alvo

Para ex-presidente, tucano 'é um político de ontem com ideias de anteontem'

Daiene Cardoso, da Agência Estado

29 de março de 2012 | 18h52

Liberado pela equipe médica a retornar gradativamente às atividades políticas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nesta quarta-feira, 28, foi informado da remissão completa do tumor na laringe, já escolheu sua estratégia de ação e o principal adversário a ser atacado: o pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, o ex-governador José Serra. "Serra é um político de ontem com ideias de anteontem", disse o ex-presidente a interlocutores. Enquanto se recupera do desgaste do tratamento de cinco meses, aliados contam que o ex-presidente se prepara para o embate eleitoral "afiando a língua".

A escolha de Serra como alvo preferencial é uma forma de tentar alavancar a candidatura de seu apadrinhado Fernando Haddad, pré-candidato do PT em São Paulo. Além de estar na lanterna das pesquisas de intenção de voto, a candidatura petista não tem conseguido arregimentar apoiadores. No último domingo, 25, dia em que o PSDB escolheu seu candidato, Lula pediu o apoio do PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à campanha de Haddad na Capital.

Ávido para retomar suas atividades sem o penoso tratamento contra o câncer, Lula avisou aos aliados que vai voltar a percorrer o País em meados de abrir, após o retorno das férias marcadas para a próxima semana. "Ele está doido para andar o Brasil", contou o senador Jorge Viana (PT-AC), após visitar o ex-presidente na tarde desta quinta, acompanhado do líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA).

"A primeira boa notícia é que ele superou o câncer. A segunda é que ele está disponível para entrar em campo", celebrou Viana. No PT, já se fala até na preparação de um "grande evento" em abril para comemorar a recuperação de Lula. "O ganho dele merece várias comemorações", pregou Viana.

Nesta quinta-feira, 29, Lula recebeu a visita do governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, no Hospital Sírio-Libanês, onde ele faz suas sessões de fonoaudiologia. À tarde, Lula recebeu a ligação do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e conversou por aproximadamente duas horas no Instituto Lula com Pinheiro e Viana. Ao senador baiano, Lula disse que pretende visitar o "galego (Jaques) Wagner", governador da Bahia. Ao senador acreano, o ex-presidente prometeu uma tarde de pescaria no Acre. "Mas antes da pescaria, ele quer pescar uns votinhos. Um pouquinho aqui, outro ali...", brincou Viana.

Mesmo com a voz ainda debilitada, Lula insistiu em ouvir os relatos sobre a crise entre o governo e a base aliada. "Ele quis saber de tudo, quis saber como pode ajudar", revelou Viana, sem revelar detalhes da conversa. Assim que retomar sua agenda, Lula avisou que vai a Brasília conversar com as bancadas do PT e com a base de apoio do governo federal no Congresso.

Quem esteve com Lula nesta quinta saiu empolgado com a disposição do ex-presidente. "Está sobrando energia. É indescritível o estado de ânimo dele", comentou Viana. "Foi como visitar um irmão nosso, plenamente restabelecido, ansioso por retomar sua agenda, reiniciar suas caminhadas pelo Brasil e procurar sua reinserção depois da quarentena a que teve que se submeter, para sair vitorioso de uma luta pela própria vida", afirmou Pinheiro.

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