Lula se diz vítima de inveja e preconceito

"Vão morrer sem entender porque um metalúrgico que não tem diploma universitário é capaz de fazer mais do que eles. Queremos que os pobres possam subir o degrau e ter as mesmas condições que os mais ricos"

Evandro Fadel e Sandra Hahn, da Agênia Estado,

24 de agosto de 2007 | 15h18

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, aproveitou hoje o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a área de saneamento, em Curitiba, para criticar quem reclama que ele investe nas áreas mais pobres do País. O presidente também dirigiu críticas aos políticos e disse que é vítima de "inveja e preconceito". "Tem gente que fica o tempo inteiro torcendo para as coisas não darem certo. A inveja e o preconceito são duas doenças malignas que nascem na cabeça das pessoas. Vão morrer sem entender porque um metalúrgico que não tem diploma universitário é capaz de fazer mais do que eles. Queremos que os pobres possam subir o degrau e ter as mesmas condições que os mais ricos". Lula disse ainda que no Brasil há pessoas que não gostam de obras voltadas para os pobres. "E é tão fácil ajudar os mais pobres. Quando um rico entra no Palácio do Planalto, ele quer logo crédito de 1 bilhão. Quando o pobre entra, ele quer mil reais, 500 reais." Para ele, o PAC do Saneamento, que destina R$ 40 bilhões para o País, sendo R$ 1,2 bilhão para o Paraná, "é a primeira oportunidade de levar à população mais empobrecida, à periferia mais longínqua, o direito à cidadania". "Eu sei que tem alguém que não acha legal a gente estar colocando 40 bilhões de reais para fazer saneamento básico no País", afirmou. "(O pobre) só vale um banqueiro no dia da eleição, o político é capaz de criticar o banqueiro da cidade, mas não tem coragem de ofender um mendigo que está dormindo na sarjeta. Depois das eleições, o banqueiro toma café com ele, janta com ele, almoça com ele e o mendigo passa quatro anos sem ser chamado para nada." No entanto, ressaltou que não quer rebaixar nenhuma das pessoas que estão melhor de vida e que não precisam do Estado. "Queremos que os pobres possam subir o degrau e ter as mesmas condições que eles." Numa referência ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Lula disse que, ao terminar o mandato, não vai estudar em Paris ou nos Estados Unidos. "Vou voltar para minha gente, que são vocês, que me ajudaram a chegar onde cheguei." Obras Lula ressaltou que durante muitos anos o saneamento básico foi deixado de lado. Segundo ele, as últimas grandes obras de infra-estrutura foram feitas pelo ex-presidente Ernesto Geisel, em 1975. Logo em seguida citou o ex-presidente Getúlio Vargas, cuja morte completou 53 anos hoje.Vargas foi aclamado por Lula como o "mais importante presidente da República que este país já teve", por ter criado, entre outras, a Companhia Siderúrgica Nacional e a Petrobras. "Tinha compromisso com o Brasil", afirmou. "Por pressão, foi levado a dar um tiro no coração."  A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, abriu o evento com um balanço dos objetivos do PAC. Em rápida entrevista antes do início, Dilma afirmou que este eixo contempla obras de abastecimento de água, esgoto e urbanização de favelas. Segundo o governo, os projetos selecionados no Estado terão R$ 1,67 bilhão, dos quais R$ 1,41 bilhão com investimentos do governo federal, sendo R$ 960 milhões em financiamentos. A contrapartida de Estados e municípios será de R$ 75,5 milhões e R$ 177,9 milhões. Lula não foi hostilizado em nenhum momento. Antes do ato oficial de lançamento do programa - que reuniu cerca de 4 mil pessoas, segundo a prefeitura de Piraquara, em um ginásio de esportes, além de outras que assistiram por telão do lado de fora -, ele vistoriou algumas obras de saneamento e cumprimentou os populares. "Lula/guerreiro/ do povo brasileiro", foi o grito de ordem mais ouvido. No evento oficial, o governador do Paraná, Roberto Requião, repetiu o discurso preferido desde que assumiu o segundo mandato, com críticas ardentes contra a imprensa. "Como o governador, o presidente tem sido alvo dos poderosos, da mídia deletéria", afirmou. Logo depois, Lula disse que é menos "nervoso" que Requião e que aprendeu a ter paciência. "Eu não brigo com a imprensa, eles brigam comigo", afirmou. "Eu não brigo com eles, até porque acho que a liberdade de imprensa é um bem incomensurável para a democracia."  O presidente está acompanhado também dos ministros de Cidades, Márcio Fortes, da Justiça, Tarso Genro, e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel. A governadora Yeda Crusius (PSDB) e o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PPS), também participam do evento. Conforme Dilma, a seleção das obras em 39 municípios considerou a existência de projetos básicos, de licença ambiental e a regularização fundiária.  

Tudo o que sabemos sobre:
LulaPAC

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.